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Parque Natural da Serra da Estrela existe há meio século

Escrito por Luís Martins

Em 1976, a área montanhosa da Serra da Estrela passou a ser uma área classificada e protegida, no centro-este do território português, repartida pelos concelhos de Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia, constituindo-se como uma das mais extensas áreas protegidas nacionais – o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE).

Inicialmente, em julho de 1976, o Parque Natural da Serra da Estrela era abrangia 52 mil hectares de terreno montanhoso. Mais tarde os limites foram redefinidos, ao ponto de, em 1979, a área ter sido fortemente ampliada para 101 mil hectares e, mais recentemente, em 2007, o perímetro do Parque Natural da Serra da Estrela sofreu uma redução para os 88 mil hectares. No total, 85 por cento do PNSE está no distrito da Guarda e os restantes 15 por cento já cruzam a fronteira do distrito de Castelo Branco.

O PNSE é composto por uma sucessão de planaltos que se estende desde a Guarda, a nordeste, até aos contrafortes da serra do Açor, a sudoeste, no concelho de Seia. O Parque Natural ocupa uma área de média e alta montanha, que inclui o ponto mais elevado do território continental, a 1993 metros de altitude, e onde se observam os melhores testemunhos de uma paisagem glaciar a nível nacional. É inegável que o Parque Natural da Serra da Estrela é um dos mais importantes e impressionantes territórios do país, com recantos e encantos característicos tanto no verão, como no inverno.

O Parque Natural da Serra da Estrela carrega um valor natural importante, principalmente por incluir espécies de flora únicas no país, como o lobo (Canis lupus), o javali, a lontra, a raposa (Vulpes vulpes), a lagartixa-de-montanha (Lacerta monticola monticola), a geneta (Genetta genetta) o coelho-bravo-europeu (Oryctolagus cuniculus), e muitos outros. Destaque também para o Centro Interpretativo, os percursos pedestres e lagoas assinalados naquela zona montanhosa que são muito procurados pelos visitantes mais aventureiros.

Destaque para o curso dos grandes rios portugueses, desde as suas nascentes – o Mondego no Mondeguinho, o Zêzere no Covão de Ametade e o Alva no Vale do Rossim, também os vales glaciares de Loriga, Manteigas, ou o Covão do Urso e o Covão Grande são pontos de paragem dos turistas.

Decreto-Lei n.º 557/76 oficializa Parque Natural da Serra da Estrela

Foi há exatamente 50 anos que o Governo aprovou a criação do Parque Natural da Serra da Estrela, através do Decreto-Lei n.º 557/76, com vista ao seu «aproveitamento integral através de uma planificação que vise a proteção dos valores da serra da Estrela e a promoção social das populações», lê-se no documento em Diário da República.

Com a criação do PNSE pretendeu-se «promover uma mais racional utilização da Serra, não descurando os problemas da conservação da Natureza, proteção da paisagem e sítios». Assim, a constituição do PNSE obrigou à elaboração do projeto de «ordenamento do PNSE, à criação de equipamentos necessários ao enquadramento das pressões exercidas pela população», entre outras medidas de conservação daquela zona.

O documento foi assinado pelo, à altura, Presidente da República, Francisco da Costa Gomes, e pelo Primeiro Ministro, Vasco Leote de Almeida.

Os 50 anos do PNSE vão ser comemorados esta quarta-feira, 15 de julho, em Manteigas, com uma cerimónia comemorativa promovida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pela Comissão de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, que vai contar com a presença da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Amigos da Serra da Estrela dizem que «não há motivos para comemorar»

José Maria Saraiva, dirigente da Associação Amigos da Serra da Estrela deixa algumas críticas à estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela, afirmando que «não há motivos para a Serra comemorar porque não ficou propriamente melhor com a criação do PNSE».

«Se contabilizarmos o que era e é a Serra antes e depois do PNSE, agora está pior do que antes de ser parque – e há muitos responsáveis para que a Serra esteja no estado em que está», afirma o dirigente da Associação que, desde 1982, se preocupa com a defesa da Serra da Estrela.

José Maria Saraiva recorda que há 50 anos «não havia energia elétrica na torre, iluminação pública, não tínhamos as Penhas da Saúde». Mas em contrapartida, o amante da Serra aponta, a título de exemplo, que a «estrada que rasgou o Planalto Superior foi, talvez, o dano mais evidente que a nossa Serra sofreu».

José Maria Saraiva, reconhece o trabalho feito pelas entidades que trabalham e cuidam da Serra da Estrela, mas reflete que no que toca à flora da Serra da Estrela «o que cá existia há 50 anos é aquilo que existe atualmente e poderia estar mais bem reflorestada», sugerindo que «mais coisas deviam ser feitas, porque senão significa que a Serra da Estrela não beneficiou nada com a criação do PNSE».

O dirigente dos Amigos da Serra da Estrela volta a repetir um conselho dirigido aos autarcas dos municípios que constituem o Parque Natural da Serra da Estrela, que «parem de sugar a Serra em benefício do turismo sem pensar nela primeiro – este é um dos maiores dramas».

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