Termina mais um ano letivo. Para milhares de alunos, professores, assistentes operacionais e famílias, chega o tempo de balanço.
A escola mudou. Os métodos evoluíram, as tecnologias chegaram às salas de aula, os currículos foram sendo ajustados e os desafios tornaram-se cada vez mais complexos. Mas, no meio de tantas mudanças, talvez tenhamos perdido algumas das coisas mais importantes. Perdemos, desde logo, o respeito devido aos professores. Não há sistema educativo forte sem professores valorizados. Não há aprendizagem de qualidade quando a autoridade pedagógica é constantemente posta em causa. Deve-se reconhecer que a escola precisa de regras, disciplina, responsabilidade e respeito. Um professor deve voltar a ser visto como uma referência e não como alguém permanentemente sujeito à desconfiança, à desautorização ou ao desgaste.
A educação vive também nas opções políticas que o país faz. E é aqui que chegamos a uma das discussões mais relevantes para o futuro da Guarda: a reorganização da rede escolar e a criação do futuro Centro Escolar.
Há quem procure apresentar este projeto como um ataque às comunidades ou como uma decisão tomada por capricho do poder local. Nada mais errado. A questão fundamental é simples. Existem hoje escolas com três, quatro ou cinco alunos? Será culpa do atual executivo municipal? Será culpa das autarquias locais? Será culpa das juntas de freguesia que, durante anos, lutaram para manter serviços, escolas e população? Claro que não. A verdade é mais incómoda para muitos.
Durante décadas, os sucessivos governos da República falharam naquilo que era essencial. Falharam na defesa da natalidade. Falharam na fixação de famílias jovens. Falharam no combate à desertificação do Interior. Falharam na criação de condições para que os nossos jovens pudessem viver, trabalhar e constituir família nos seus territórios de origem. Enquanto se discutiam estratégias em Lisboa, as aldeias e cidades do interior foram perdendo habitantes. Enquanto se anunciavam programas e planos, os nascimentos diminuíam. Enquanto se faziam discursos sobre coesão territorial, muitas comunidades envelheciam e esvaziavam-se. Hoje, estamos a colher os resultados dessas políticas. Porque nenhuma escola fecha por falta de vontade dos professores, das autarquias ou das comunidades.
Quando uma escola tem apenas alguns alunos, não estamos perante um problema educativo. Estamos perante um problema demográfico. É por isso que o debate deve ser feito com honestidade. Todos gostaríamos de ter escolas abertas em cada aldeia, em cada bairro e em cada comunidade. Todos gostaríamos de ouvir os recreios cheios de crianças e ver as salas de aula ocupadas por dezenas de alunos. Mas governar é lidar com a realidade e não com desejos. O futuro Centro Escolar da Guarda não nasce de uma opção ideológica. Nasce da necessidade de garantir às crianças as melhores condições possíveis de aprendizagem. Nasce da possibilidade de oferecer melhores instalações, mais recursos pedagógicos, mais apoio especializado, melhores equipamentos, mais atividades e uma resposta educativa mais forte e mais preparada. Transformar esta decisão numa arma de arremesso político é profundamente irresponsável. Porque aqueles que hoje criticam estas medidas raramente explicam as políticas que implantaram e falharam. É fácil criticar a reorganização da rede escolar ou apontar o dedo a quem governa localmente. Mais difícil é reconhecer que muitos dos problemas que hoje enfrentamos resultam de décadas de opções nacionais que falharam.
A Guarda não precisa de discursos derrotistas. Não precisa de quem veja problemas em cada solução apresentada. Não precisa de quem tente transformar qualquer investimento ou qualquer reforma numa oportunidade para alimentar divisões. A Guarda precisa de futuro. Construir futuro significa investir na educação, apoiar os professores, defender a autoridade na escola, criar condições para fixar famílias e garantir que as nossas crianças têm acesso às melhores oportunidades possíveis. Talvez fosse importante conhecer e ver in loco as condições destas escolas. Para perceberem que as decisões que exigem responsabilidade, visão estratégica e capacidade para olhar para além do calendário eleitoral. Para além disso, o município está a cumprir a decisão da Assembleia Municipal quando aprovou a carta educativa que prevê isto mesmo. É precisamente neste contexto que deve ser entendida a aposta do Município da Guarda no futuro Centro Escolar. Governar é muitas vezes escolher entre aquilo que gostaríamos que existisse e aquilo que a realidade permite fazer. Perante um problema que não foi criado localmente, mas cujas consequências se fazem sentir todos os dias no território, o atual executivo municipal tem demonstrado disponibilidade para enfrentar a realidade em vez de a esconder.
No fundo, todas as discussões sobre escolas, professores, equipamentos ou políticas públicas conduzem à mesma questão, que futuro queremos deixar às próximas gerações? A educação merece mais. A Guarda merece mais. E as nossas crianças merecem, acima de tudo, um futuro melhor.


