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Procissão dos Penitentes de Lavacolhos, no concelho do Fundão, em consulta pública para património imaterial

Escrito por ointerior

A candidatura da Procissão dos Penitentes de Lavacolhos, no concelho do Fundão, para integrar o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI) está em consulta pública, tendo o anúncio sido publicado na segunda-feira em “Diário da República”.
A fase de consulta pública tem a duração de 30 dias e os interessados em consultar o processo de inventariação desta manifestação podem fazê-lo na página do Património Cultural, Instituto Público, ou presencialmente no arquivo da Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. A decisão sobre a integração da Procissão dos Penitentes de Lavacolhos no INPCI será conhecida no prazo de 120 dias após a conclusão desta consulta pública. Sendo uma prática de religiosidade popular, a Procissão dos Penitentes de Lavacolhos integra o programa da Quadragésima – Ciclo de Tradições da Quaresma e Semana Santa dos Municípios do Fundão, Covilhã, Belmonte, no distrito de Castelo Branco, e Sabugal, no distrito da Guarda.
A procissão acontece á meia-noite de Sexta-Feira Santa. «Consiste no replicar das paragens da Via Sacra, uma prática devocional religiosa na qual os fiéis, imitando os passos de Cristo, percorrem mentalmente – e com orações próprias – o percurso de Jesus desde o Pretório de Pôncio Pilatos até ao Monte do Calvário, carregando a cruz», descrevem os promotores na candidatura. A tradição tem origem nas “penitências monásticas, onde na sua génese está a salvação das almas”. Sendo a Páscoa ainda um momento de encontro das famílias, sobretudo nos meios rurais como a aldeia de Lavacolhos, a Procissão dos Penitentes «também alavanca este sentir de proximidade e coesão, sendo feita pelos residentes habituais e pelos que regressam a casa neste período festivo».
Na candidatura é ainda explicado que a procissão é espontânea: «Grande parte dos participantes mais jovens juntam-se no café da aldeia a confraternizar, mas perto da meia-noite correm para a igreja, onde vestem a indumentária e tomam posse dos artefactos». Depois, «as luzes da aldeia apagam-se (…) cantam-se, em ladainha, os primeiros versos de uma reza profundamente sentida. Abre-se a porta da igreja e o primeiro grupo de penitentes, vestidos com túnicas brancas, cabeça e rosto cobertos e pés descalços, saem e dão início à procissão».

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