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Assembleia Municipal da Guarda serena aprova tudo

Escrito por ointerior

Presidente da Câmara revelou que novo Plano Diretor Municipal ainda não está em vigor por causa da «burocracia de alguns técnicos da APA e da CCDR»

Ataque informático, cultura, Programa de Revitalização da Serra da Estrela, buscas da Polícia Judiciária foram alguns dos assuntos que marcaram a Assembleia Municipal da Guarda, realizada na sexta-feira. Contudo, do debate não saíram novidades.
Das moções aprovadas na sessão destaque para uma do PS, que desafia o Governo a «operacionalizar as ações necessárias e urgentes» do Programa de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela (PRPNSE), aprovado em março de 2024 e que ainda não saiu do papel. O documento foi aprovado, por maioria, com 63 votos s favor e oito abstenções. Apresentada por Nélia Faria, a moção lembra que, em agosto de 2022, o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) registou um incêndio de grandes dimensões, que afetou sobretudo os concelhos de Belmonte, Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda e Manteigas, numa área total ardida de cerca de 25 mil hectares.
«O incêndio em causa originou um conjunto de danos e prejuízos em áreas de vegetação natural, nos cursos de água, na floresta, nos matos e matagais, no mosaico agroflorestal, nos prados e pastagens, nos habitats naturais e, ainda, em muitos geosítios classificados», é referido. No documento é recordado que o PRPNSE tinha contemplados investimentos para «a revitalização dos setores produtivos e diversificação da base económica da região, combatendo a perda demográfica e tornando o território mais resiliente às alterações climáticas e aos seus efeitos, preservando e valorizando o seu principal ativo patrimonial, o PNSE e todo o seu ecossistema». A AM da Guarda recorda que a dotação inicial era de 155 milhões de euros «provenientes de fundos nacionais e europeus. No Orçamento de Estado de 2025, o Governo reconheceu o programa, mas afetou-lhe apenas 1,5 milhões de euros».
Os deputados municipais constatam que o PRPNSE ainda se mantém em vigor, «com o Governo a garantir a sua implementação», mas não há «qualquer referência no Orçamento do Estado para 2026». Nesse sentido, a AM «insta o Governo de Portugal, através do envio da moção ao Sr. Primeiro-Ministro, para que mantenha o compromisso com o PRPNSE, nomeadamente no que toca à operacionalização das ações necessárias e urgentes para o reforço das medidas de mitigação do risco de novos incêndios e de reforço atempado da capacidade de resiliência do território sob gestão do PNSE». José Valbom, deputado do Nós, Cidadãos!, foi o único a intervir no período de debate do documento para dizer que o Governo «tem que ter olhares que incorporem o país como um todo, o que não tem acontecido». E acrescentou: «É a faixa litoral e o resto é paisagem, mas um dia destes isto vai dar catástrofes».

Orgânica e empréstimo de 11,2 milhões de euros sem votos contra

A AM da Guarda também aprovou, por maioria, com 41 votos a favor, 21 abstenções e zero votos contra, a nova orgânica da Câmara, que estipula dois departamentos 14 divisões, sete em cada departamento, e a redução de secções de 13 para 3.
Por maioria foi ainda aprovada, com 52 votos a favor, 19 abstenções e zero contra, a contração de um empréstimo, de longo prazo, de 11,2 milhões de euros para financiamento da empreitada de regeneração e mobilidade urbana do Vale do Cabroeiro. Nesta sessão, Sérgio Costa revelou que o TMG vai receber um financiamento de 100 mil euros por ano da Direção-Geral das Artes para programação e que a Sé da Guarda precisa de obras da ordem dos 1,5 milhões de euros para resolver os problemas de infiltrações de água de que padece o monumento nacional. Quanto ao PDM, confrontado por Rodrigo Besteiro por o novo Plano Diretor Municipal ainda não estar em vigor, o presidente da Câmara justificou que se aguarda a publicação da carta Reserva Ecológica Nacional (REN). «É a burocracia deste país. Nós fizemos o nosso trabalho e agora estamos pendurados, não nas instituições, mas nalguns técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente e da CCDR. Vamos ver se é desta».
Sérgio Costa também se pronunciou relativamente ao ataque informático que continua a afetar o sistema da autarquia, mas para adiantar que os técnicos estão a trabalhar, «dia e noite, há três semanas para repor a normalidade possível». O presidente acrescentou que há informações «que estamos impedidos de partilhar», referindo que o município foi aconselhado a manter silêncio sobre o assunto. Atualmente, os serviços estão a «ser retomados faseadamente e ao longo das próximas semanas esperamos que o problema esteja resolvido». No entanto, depois de resolvida a situação, a Câmara da Guarda vai ter de investir «várias centenas de milhares de euros» para renovar o sistema informático. A Assembleia Municipal de sexta-feira cumpriu um minuto de silêncio pelas vítimas causadas pela passagem da depressão Kristin.

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