A ASTA – Associação de Teatro e Outras Artes vai apostar no próximo mês num festival de dança contemporânea para enriquecer ainda mais a aposta cultural dos concelhos da Covilhã e de Castelo Branco. O ContraDança – Festival de Dança e Movimento, que vai decorrer de 18 a 29 de Setembro, pretende assim afirmar-se como um novo festival na região, com o objectivo de se estender no futuro a todos os concelhos e aldeias. A primeira edição deste festival, que conta com as parcerias da companhia espanhola Medea_73 e da associação francesa Vues D’un Monde, conta com espectáculos de artistas argentinos, espanhóis e portugueses, onde se destacam duas coreografias de Olga Roriz, a artista mais consagrada do país neste domínio.
Os primeiros dias do festival vão decorrer na cidade albicastrense, no auditório do Instituto Português da Juventude (IPJ), com a estreia no dia 18 de Setembro de “Fora de Tempo”, a nova produção da ASTA. A performance de dança e movimento irá tentar abordar o conceito do tempo e as influências dele no quotidiano dos seres humanos. O espectáculo é encenado por Lorena Briscoe (directora da Medea_73) e interpretado por Mário Gomes, Nathalie Naveda e Sérgio Novo. No dia seguinte, é a vez da companhia Medea_73 apresentar a performance “Mnemosine”, interpretado por Lorena Briscoe (que também encena) e Fabian Gómez B. A 20 de Setembro, o palco do IPJ irá receber um solo de dança contemporâneo por Cecília Gómez, numa estreia da artista argentina em Portugal. Com “Lei de Correspondência” a artista tentará partilhar com o público, em 25 minutos, as suas sensações de plenitude, tanto no chão como aéreas. Estes três espectáculos irão ser representados também no Teatro-Cine da Covilhã nos dias 23, 24 e 25 de Setembro, respectivamente. Já no dia 26, na sala de espectáculos covilhanense, o palco irá acolher “Delírios”, uma versão livre de um conto de Charles Bukowski concebida pela companhia espanhola Simbiotes Teatro e onde se integram textos narrativos com imagens de vídeo. Neste espectáculo, de 55 minutos, os actores peruanos Raul del Águila e Juan Carlos Torres e a espanhola Susana Bartolomé irão transportar para a cena os critérios de criação de uma sala de edição, utilizando os recursos do teatro. Para isso, basearam-se não só na narrativa de Bukowski, mas também na obra poética de Alejandra Pizarnik, Jorge Eleison e em fichas clínicas de pacientes psicóticos. No dia seguinte, às 15 horas, é a vez do Ballet Contemporâneo do Norte ocupar a sala para apresentar “Dança Arroba Ponto Come”, um espectáculo interactivo destinado a um público mais jovem. A interpretação está a cargo de Susana Otero, Rui Marques, Diana Silva, Mário Gonçalves, Joana Nossa e Patrícia Costa. À noite, a companhia irá apresentar “Peepshow”, concebido e criado por Joana Nossa, e interpretado por Susana Otero, Rui Marques, Diana Silva e Mário Gonçalves. No dia 28, o público do Teatro-Cine poderá assistir à apresentação de dois vídeo-dança da autoria da coreografa Olga Roriz. Tratam-se de “Anjos, Arcanjos, Serafins, Querubins… Potestades”, um vídeo de 34 minutos onde se traça a memória de um povo perdido em aldeias vazias, que será exibido às 21h30, e de “Propriedade Privada”, de 58 minutos. Este contará com a interpretação dos bailarinos Sónia Aragão, Luís Carolino, Ludger Lamers, Fabrizio Pazzaglia, Susana Queiroz, Carla Ribeiro e Lina Santos. O festival termina no dia 29 com a música de Bilan, músico cabo-verdiano radicado em Portugal, no Teatro-Cine, às 22 horas. O músico, que irá entoar sonoridades quentes de Cabo-Verde e o melhor da música folk dos Estados Unidos, onde se assume referências como Bem Harper e Jack Johnson, irá ser acompanhado por Luís Pedro na bateria e André na percussão e voz. Entretanto, haverá também um workshop de dança contemporânea e de movimento com Cecília Goméz nos dias 21, 22 e 23 de Setembro, limitado a 20 participantes. As inscrições custam 15 euros e deverão ser efectuadas no Teatro-Cine ou nas instalações da ASTA.
Exposição antecipa festival
Para antecipar o ContraDança, a ASTA irá ter patente uma exposição de fotografia no Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior até 18 de Setembro. A mostra, que foi concebida pela associação francesa Vues D’un Monde, reúne dezenas de fotografias de diversos artistas de todos os quatro cantos do mundo, tiradas no dia 29 de Outubro de 2005. O desafio foi lançado pela Internet aos participantes, guiando-os através de um tema simples: a noção do belo e do feio, pedindo a cada um, uma representação fotográfica desses conceitos nesse dia. Está exposta desde a última sexta-feira e poderá ser contemplada de segunda a sexta-feira entre as 9 e as 12h30 e das 14 às 17h30. A selecção fotográfica será acompanhada ainda por um projector que mostra na íntegra todas as fotografias tiradas nesse dia por todos os participantes.
Liliana Correia


