A instabilidade tem tomado conta dos órgãos sociais da AAG, com saídas e entradas sucessivas, mas a nova direção, presidida por David Oliveira, promete «transparência e trabalho» para «devolver a Academia à Guarda»
A nova direção da Associação Académica da Guarda (AAG) tomou posse esta segunda-feira depois de alguma instabilidade no seio da organização com mudanças sucessivas de dirigentes. David Oliveira assumiu a liderança e conta com Beatriz Paulo como vice-presidente e Tiago Silva como tesoureiro.
A mesa da Assembleia Geral de Alunos é presidida por Diogo Silva, tendo Diana Carvalho e Sofia Silva como secretárias. Já o Conselho Fiscal é liderado por Jorge Teixeira, sendo relator Filipe Pata e Joana Freire secretária. Os novos órgãos sociais da AAG têm consciência das fragilidades que herdam, mas garantem que o foco é «devolver a Academia à Guarda» com um mandato assente «na transparência entre a AAG e os estudantes do Politécnico». David Oliveira, estudante do segundo ano de Recursos Humanos, disse a O INTERIOR que concorreu à presidência da Associação Académica por ter conhecimento da «frustração dos estudantes no último ano [face à direção da AAG], pelo que decidi intervir com mais pessoas que sentiram o mesmo que eu. Quisemos mudar, ter uma voz de força e interagir com os estudantes».
Para isso, a nova equipa assumiu funções com o lema “Pelos Estudantes, para os Estudantes” e o propósito de reativar os laços entre a comunidade estudantil e a própria Associação Académica da Guarda. Assim sendo, a nova equipa definiu quatro eixos de atuação: «Reativar os laços entre a AAG e a comunidade estudantil, organizando eventos que estão de acordo com as expectativas dos alunos. Queremos criar novos departamentos, a começar pelo desporto, bem-estar recreativo, gestão, recursos humanos, marketing, comunicação e relações internacionais». Além disso, é também essencial para a equipa «assumir a transparência em termos financeiros e vamos ter uma gestão rigorosa para minimizar a dívida e conseguir alcançar a estabilidade da AAG a longo prazo e, por fim, um dos principais objetivos, recriar a nova ligação a comunidade guardense porque o politécnico não pode ser só um recinto fechado».
A tomada de posse realizou-se depois de uma reunião que contou apenas com os membros da nova direção, durante a qual foi aprovado o relatório de contas herdado da equipa cessante. David Oliveira fala em «150 mil euros de dívidas» deixadas pelas várias direções que têm passado pela organização. «A Associação Académica da Guarda voltou de um período muto difícil. Também fui surpreendido pelas contas e estamos muito mal», assumiu o dirigente. No seu discurso de tomada de posse, o novo presidente da AAG deixou claro que «a nova equipa sabe que é preciso coragem para olhar para trás e não varrer os problemas para debaixo do tapete». Reconheceu também que «o ano que passou não foi bom para a nossa Associação e este ano é para haver uma mudança de atitude. Não há espaço para vaidades nem missão superior às necessidades dos estudantes», avisou.
Questionado sobre como vai reverter a situação, David Oliveira respondeu que vai começar por «abordar várias entidades para ajudar nesta situação, e até mesmo quem o queira fazer de forma autónoma são bem-vindos e estamos de braços abertos». Isto porque, segundo o presidente da AAG, em 2025 «muitas portas foram fechadas a quem sempre ajudou a Associação Académica», sendo objetivo neste mandato «reabrir esses laços e parcerias». Para levar o plano avante, David Oliveira partilhou um lema que vem do pai para garantir que, consigo na Associação Académica, só «vai haver duas formas de estar: a trabalhar ou a ajudar quem trabalha – a Associação Académica, os estudantes, os núcleos, etc.».
Na tomada de posse, o presidente do IPG, Joaquim Brigas, manifestou à nova equipa «confiança pela energia e palavras demonstradas. Penso que o futuro da Associação Académica da Guarda está em boas mãos». O responsável garantiu ainda aos estudantes que «terão da parte do Politécnico todo o apoio para conseguirem fazer o melhor trabalho possível, porque todos temos a ganhar com isso». Por sua vez, António Fernandes, vice-presidente da Câmara da Guarda, deu à nova direção da AAG os «votos de confiança da autarquia» e aproveitou o momento para entregar um cheque de 10 mil euros, montante que o executivo aprovou recentemente para apoiar a organização da Semana Académica e que ainda não tinha sido pago à associação.



