A União Europeia quer reduzir duas dependências: combustíveis fósseis e energia importada. A chave para a redução dessa dupla dependência passa por apostar em comunidades energéticas locais e complementar o investimento em energias renováveis com a energia nuclear.
A energia nuclear é uma energia limpa, sustentável, acessível e fiável. Não é por acaso que, nos EUA, gigantes tecnológicos como a Microsoft, a Google e a Amazon estão a investir diretamente em centrais nucleares de tecnologia avançada para fazer face à sua crescente demanda por energia.
Sempre que se fala em centrais nucleares, é inevitável recordar os desastres de Chernobyl (1986) e Fukushima (2011). Contudo, a tecnologia que sustenta as centrais nucleares atuais é incomparavelmente mais avançada do que a daquelas épocas. Os novos sistemas permitem respostas rápidas e eficazes em situações críticas, reduzindo a probabilidade de acidentes para níveis quase residuais. Além disso, também o tratamento do chamado lixo nuclear conheceu progressos significativos, possibilitando uma redução do volume de resíduos perigosos e aumentando a segurança do seu armazenamento a longo prazo.
No contexto atual, podemos afirmar que a probabilidade de um acidente semelhante aos de Chernobyl ou de Fukushima é praticamente zero. A produção de energia nuclear é, hoje, mais segura do que nunca. De resto, ela nem sequer é uma novidade para a UE: cerca de 25% de toda a energia produzida no espaço europeu provém de centrais nucleares, com 101 reatores operacionais espalhados por 13 Estados-Membros. Com uma aposta estratégica na energia nuclear, a UE poderia, com relativa facilidade e rapidez, reduzir drasticamente a sua dependência de combustíveis fósseis e de recursos energéticos externos.
Algumas das tecnologias que garantem os elevados níveis de eficiência e de segurança das centrais nucleares estão também a contribuir para o aparecimento de comunidades energéticas locais. Estas comunidades têm como objetivo promover a autossuficiência e o combate ao desperdício. O modelo de funcionamento é extremamente simples: os participantes da micro-rede energética produzem energia renovável para consumo próprio e são incentivados a ceder o seu excedente a outros participantes da rede.
Ao permitir que cidadãos, empresas e instituições participem ativamente na produção e gestão de energia, as comunidades energéticas locais representam também um passo importante rumo a uma sociedade mais colaborativa e resiliente. Duas qualidades que, tudo indica, se assumirão cada vez mais vitais para o bem-estar e a segurança das populações.
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