O problema da regulação alimentar tem sido o fortalecimento da segurança em detrimento da qualidade. Garantir padrões de ausência de salmonella, brucella, listéria e E.Coli, tem sido um caminho assético, mas carregando o preço do processamento, o acrescento de corantes, conservantes, substitutos de sabores e, sobretudo, a subjugação ao poder do negócio. Construir árvores ou plantas que duplicam a sua produção anual, implica adubos, alterações genéticas, regadios industriais. O açúcar tomou conta da alimentação e com ele a inflamação intestinal e cerebral. O açúcar é irmão do tabaco, do sal refinado, do álcool, e da contraditória regulamentação, produzida nos países mais avançados. Há mesmo um grito de alerta contra tudo o que é branco na alimentação e acrescente-lhe o amarelo. Reduzir as substâncias associadas ao processo inflamatório é já uma ideologia, mais do que uma recomendação alimentar. Jean Louis Peytavin (França, 1943) não pára de escrever sobre esta complexidade de agressores e os inerentes malefícios no cérebro. A ideóloga no Instagram é Jessie Inchauspé (França, 1992), que, com milhões de seguidores, converte o mercantilismo da ideia num processo revolucionário de imitação. As verdades absolutas não existem em ciência, porque ela é um processo em curso, é uma dinâmica que tropeça no próprio método científico que coloca dúvidas constantes. Pedro Russo (Portugal, 1977), num artigo da revista “Electra”, nº 12, explana a importância da abordagem criativa para a nova ciência, para a importância da partilha dos fracassos, a exposição dos insucessos como caminho evolutivo. Isso dito, conjugando com a brutalidade do afirmado ao início: a regulamentação retirou qualidade em prol da segurança, então estamos a carecer de uma reavaliação de tudo o que a alimentos se tem referido. A diabetes e a obesidade, associadas às demências, obrigam a que mude o caminho. O conceito de Alzheimer como diabetes tipo 3 vem de David Perlmutter (EUA, 1954) e tem importância para perceber como a regulação criou comida assética e lhe acrescentou os venenos dos aditivos e dos açúcares.


