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Possível fim da Linha entre Régua e Pocinho é «disparate total»

Estudo efeito pelo anterior Governo PS prevê ainda o fecho do troço ferroviário entre a Guarda e a Covilhã

Os autarcas de Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo estão convictos de que o atual governo não vai seguir as conclusões de um estudo encomendado pelo anterior executivo que prevê o fecho de 800 quilómetros de linha férrea, entre os quais se encontra a ligação entre a Régua e o Pocinho, num total de 68 quilómetros.

De acordo com a edição do jornal “Público” do último domingo, o documento feito, à revelia da Refer, pelo anterior Governo do PS liderado por José Sócrates propôs à “troika” o encerramento de 794 quilómetros de vias-férreas. Segundo a notícia, também o troço entre a Guarda e Covilhã poderá não vir a reabrir, isto depois da Refer lá ter investido, nos últimos sete anos, dezenas de milhões de euros e onde decorrem atualmente investimentos de 7,7 milhões de euros. O documento foi apresentado à “troika” como uma medida eficaz de redução da despesa pública. No Douro, o encerramento da linha a jusante da Régua compromete o desenvolvimento turístico da região, que é património mundial. Paradoxalmente, o que os autarcas da região têm vindo a pedir é a reabertura do troço Pocinho-Barca d’Alva para fins turísticos e para aproximar a região do mercado espanhol. Deste modo, o presidente da Câmara de Foz Côa confessa ter sido «apanhado completamente desprevenido» com a notícia que classificou de um «total disparate», daí que espere que o novo executivo governamental «não leve adiante as conclusões do estudo». Gustavo Duarte recorda até que em 2009 a então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, garantiu que a ligação entre Pocinho e Barca d’Alva, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, iria ser reativada, pelo menos, para fins turísticos. «Espero que se mantenha o que se estava a pensar fazer e não suprimir. Tudo faremos para que isso aconteça porque será uma mais-valia a reativação desse troço», defende. O edil considera que o comboio é um «meio de transporte essencial» e que, especialmente aos fins-de-semana, «traz muitos turistas à região porque é um percurso «muito apreciado, feito sempre junto ao rio». Assim, frisa que «não podemos ligar só à questão económica», embora desconheça se o troço entre a Régua e o Pocinho é rentável. O autarca fozcoense não quer pensar noutra coisa «que não seja o atual Governo» não seguir seguir as conclusões apontadas no estudo.

A mesma ideia é partilhada pelo seu colega de Figueira de Castelo Rodrigo que ficou «muito apreensivo» com o estudo divulgado: «Estou em crer que haverá bom senso para se analisar caso a caso e constatar que a Linha do Douro tem uma procura crescente e que não pode ser encerrada». António Edmundo sustenta que seria «um revés para Portugal» porque «qualquer país que deixa de acreditar nas suas vias ferroviárias fica mais pobre, mais inseguro e mais poluído». O autarca frisa que quando defendia a reativação da linha entre o Pocinho e Barca d’Alva «não estava sozinho», salientando que «se o comboio chegar à fronteira terá mais probabilidade de vir a criar receitas» porque permitirá o fluxo de turistas espanhóis. Assim, assegura que «se o comboio não chegar à fronteira, também deixará de chegar ao Pocinho e toda a região ficará a perder», avisa.

Ricardo Cordeiro Estação desativada de Barca d’Alva continua à espera de melhores dias

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