A Águas do Zêzere e Côa (AZC) deu, na última quinta-feira, um passo importante para pôr fim ao mau cheiro e ao ruído que emana da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de São Miguel, na Guarda. Mas numa altura em que a empresa e a autarquia formalizaram o auto de consignação da empreitada de requalificação e duplicação da ETAR, adjudicada à Abrantina/Marsilop, a população daquela freguesia urbana vem exigir a transferência da estrutura para outro local.
Durante a cerimónia, a presidente da Câmara, Maria do Carmo Borges, admitiu que a escolha daquele local para instalar a ETAR há uns anos atrás não terá sido a melhor, pois, «ninguém adivinhou um crescimento tão rápido para aquela zona, daí os problemas». Por isso esta é uma obra de «grande importância» para a Guarda, frisa a edil, prometendo que a vizinhança vai agora usufruir de «melhor qualidade» graças a um equipamento «renovado e qualificado». De resto, Maria do Carmo exigiu à AZC e ao consórcio construtor que esta infraestrutura fique «a funcionar muito melhor». Também a Junta de Freguesia de São Miguel, «sistematicamente» “bombardeada” com as queixas dos moradores, espera que as obras acabem «com os problemas da população», adiantou Luís Aragão, o vice-presidente. Nesse sentido, a Junta já solicitou à AZC uma sessão de esclarecimento sobre o projecto para os habitantes daquela zona, a qual vai decorrer já na próxima segunda-feira, na assembleia de freguesia. Entretanto a população já manifestou o seu desagrado através de um abaixo-assinado entregue na Junta, no qual reivindicam o prometido pela autarquia há uns anos: «A transferência da ETAR para outro local», refere Luís Aragão. «Essas promessas criaram expectativas», sublinha o vice-presidente, salientando que, para além da requalificação do equipamento, «também é importante que a linha de água e as margens envolventes para onde a ETAR descarrega sejam intervencionadas».
A empreitada está orçada em 2,3 milhões de euros e visa «melhorar o tratamento das águas residuais domésticas da maior parte da população da Guarda», explica Gravata Filipe, administrador delegado da AZC. Na sua opinião, trata-se de uma obra «encravada numa zona de crescimento da Guarda e por isso tem que ser tratada com pinças». Foi também por ser um dos casos «mais delicados» do pacote de investimentos a realizar pela AZC que esta intervenção «ficou para o fim», acrescenta. Que a ETAR de São Miguel está no limite da sua capacidade de tratamento «é uma realidade incontornável», sublinha Gravata Filipe. Tal como “O Interior” já tinha anunciado no início deste mês as obras vão transformar esta estação de tratamento na mais sofisticada infraestrutura do sistema da AZC com capacidade para servir 60 ou 80 mil habitantes. Assim, durante um ano as obras vão ser executadas sem constrangimentos, já que serão realizadas sem interromper o tratamento. Também a área ocupada não irá aumentar, pois serão os antigos leitos de secagem «a dar lugar à nova linha de tratamento», explica João Damasceno, director de exploração da AZC. As principais intervenções vão ocorrer na entrada da actual linha de tratamento biológico e do sistema de remoção de lamas, com a introdução do sistema de areias e gorduras. Na linha antiga, vão ser realizadas determinadas alterações de modernização, nomeadamente, no sistema de oxigenação do afluente, substituindo as turbinas por um sistema mais eficaz. Está ainda prevista a implementação de uma nova linha para tratamento, destinada a melhorar a qualidade do efluente, tornando possível a sua utilização para a rega.
Patrícia Correia


