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Notas soltas

Anotações

Com a entrada num novo ano renovam-se esperanças, projectos, reconquista-se algum optimismo, tão abalado por estes tempos de incerteza e crise.

A festa, a euforia, os excessos de vária ordem apagaram, momentaneamente, as imagens da realidade hodierna, para a qual todos somos, de novo, remetidos. Infelizmente, esta breve pausa na passagem para um novo ano não assume a magia que todos ansiavam, antes é um elo na continuidade; a que não escapam os múltiplos aumentos, as quebras nos rendimentos e os cenários de incertezas.

É neste contexto, difícil, que temos de aferir a determinação, racionalizar os recursos, incrementar os esforços conducentes a objectivos claros; sem se utilizarem subterfúgios enganadores ou esboçados com as tintas do politicamente correcto.

De nada vale iludir a realidade, as dificuldades quando elas emergem de forma inquestionável, com as mais diversificadas manifestações económicas e sociais, numa conjuntura de grandes dificuldades.

A crise económica e os constrangimentos financeiros vão ser uma condicionante no desenvolvimento do interior, e sustentar (o que já não é grande novidade) os argumentos de futuras decisões governamentais.

O ano de 2011 lança, pois, novos desafios, relança velhos problemas, exigirá novos sacrifícios e restrições…daí que, mais do que nunca seja necessário redobrar os esforços e acreditar nas capacidades endógenas.

“Memória acerca dos Reis Magos” é um dos mais recentes trabalhos de Pinharanda Gomes, figura ilustre da cultura portuguesa. Uma publicação que se junta ao significativo número de livros e artigos de que é autor.

Este conhecido pensador e investigador (natural de Quadrazais, concelho do Sabugal) comentou-nos, há algum tempo, que, literariamente falando, é natural da Guarda; embora realizado em Lisboa, como nos dizia, foi na cidade mais alta de Portugal que lançou as primeiras raízes.

Numa das suas muitas obras, Pinharanda Gomes escreveu que, “na esquina do tempo, e tendo saído da Guarda há muitos anos (parece que temos o destino da emigração) foi-nos concedida a graça de permanecermos fiel à mátria”.

Essa fidelidade tem sido constante, exemplar, de uma grandeza própria de personalidades de enorme saber e erudição mas simultaneamente simples, humanas e profundamente solidárias com a sua terra de origem. A sua presença, frequente, em iniciativas aqui realizadas ou as intervenções proferidas sobre temáticas e personalidades ligadas à nossa região comprovam isso mesmo.

No conjunto vasto de títulos publicados por Pinharanda Gomes avultam três áreas: os contributos na História da Filosofia; as monografias da história da Igreja e os estudos regionais.

No decorrer da sua já longa actividade longa – que se deseja assim continue – Pinharanda Gomes, tem-se afirmado um defensor convicto, e incansável, do nosso património histórico-cultural e outrossim dos valores humanos, mormente desta zona raiana. “Sentimos quanto é longo o dever de um homem dar contas públicas do muito ou do pouco que lhe foi possível realizar pela valorização do seu património, isto é, das coisas da sua terra natal”.

A sua obra, como escreveu João Bigotte Chorão, “bifurca-se em duas direcções aparentemente opostas: a que mergulha nas realidades sensíveis da pátria chica e a que se eleva ao céu das ideias, lá onde a filosofia, não sendo posse egoísta do saber, se assume como forma de conhecimento”.

Por muitos não tem sido apreendida a sua faceta de dicionarista mas nem será necessário referir o seu “Dicionário de Filosofia Portuguesa” para se acentuar essa vertente; Pinharanda Gomes tem desenvolvido um vultuoso e admirável trabalho ao nível de publicações com estas características, assumindo, não raramente, a autoria da descodificação dos temas mais exigentes no seu significado e na evolução do conceito.

Pinharanda Gomes é, sem dúvida, um intelectual que, se honra a Guarda, honra o país e todo o espaço da lusofonia.

O estacionamento indisciplinado de veículos pesados um pouco por toda a cidade da Guarda é já imagem usual do nosso quotidiano.

Esta realidade não tem merecido, ao longo dos anos, a necessária atenção por parte das entidades responsáveis, sempre na procura de uma solução, sucessivamente adiada.

Se a caótica dispersão de veículos pesados, ao longo da zona urbana provoca, por um lado, os mais variados problemas de congestionamento de trânsito, incómodos de vária ordem para os moradores das artérias onde ficam estacionados (redução de espaço para veículos ligeiros, ruídos a horas mortas antecedendo a sua retirada e início de viagem, diminuição de visibilidade em muitos locais, acentuada em dias de forte nevoeiro), por outro contribui para a degradação dos pisos e passeios (mais acentuada com a chuva intensa que tem caído), danificação das tampas do colectores de água e saneamento (que consequentemente se transformam em verdadeira armadilhas para automobilistas e transeuntes) e sujidade dessas ruas, resultado de frequentes derrames de óleo ou outros lubrificantes.

Ainda que os conhecidos constrangimentos financeiros não augurem a definitiva resolução do problema – com a construção de um parque apropriado e servido com as estruturas de apoio consideradas fundamentais – nunca será demais alertar para a necessidade premente de ser modificada esta realidade, em prol de uma nova imagem da cidade, procurando as soluções mais adequadas.

Essas soluções podem passar pelo estudo e desenvolvimento de parcerias com a iniciativa privada, articulado, ou não, com outros projectos previstos para a periferia da cidade. Certamente que a Guarda ficará a ganhar.

Por: Hélder Sequeira

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