Já não basta fazer o bem. É exigível que se faça bem o bem.
Trocado por miúdos: o facto de uma associação que se dedicar a contribuir positivamente para uma comunidade não justifica que receba qualquer valor de entidades oficiais.
Chegou ao fim a lógica tradicional para cálculo do apoio público, baseado no número de beneficiários ou de funcionários da organização. Hoje, o número de funcionários é irrelevante para cálculo do apoio público, e ao número de beneficiários terá de se multiplicar o impacto real da atividade desenvolvida. Assim, se sabemos, por exemplo, que um em cada três cadastrados por crimes ligeiros comete nos anos seguintes um crime de sangue, provocando um custo social superior a 100 mil euros (custos com cuidados hospitalares dos envolvidos e com a prisão do agressor), e se uma ação junto da comunidade de risco reduzir o nível de incidência para metade, então essa organização poderá receber o valor correspondente à poupança verificada.
Esta nova lógica de retribuição fará com que as organizações sociais passem a ter prejuízos ou lucros, porque os seus custos com pessoal e equipamentos não são considerados para o apuramento da contribuição pública.
Com isto, ganham as organizações que melhor responderem ao desafio a que se propõem, aplicando o mínimo de custos para os mesmos resultados.
Esta nova lógica de avaliação de impacto social, corresponde à Certificação ES+, que atribuiu a quatro organizações da nossa região a validação dos seus modelos de avaliação de impacto das suas organizações. Porque o futuro, para ser futuro, tem de ser sustentável.
Por: Frederico Lucas


