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A arquitetura como marca no território

Num concelho com dois Patrimónios Mundiais – o Douro Vinhateiro e as gravuras rupestres do Vale do Côa –, em Vila Nova de Foz Côa destacam-se também alguns dos mais arrojados projetos portugueses de arquitetura dos últimos tempos. A Adega da Quinta da Touriga Chã, o Museu do Côa e o Centro de Alto Rendimento do Pocinho venceram três dos cinco Prémios de Arquitetura do Douro já atribuídos.

Adega da Quinta da Touriga Chã

Em 2006, a primeira edição do galardão instituído pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), através da Estrutura de Missão do Douro, distinguiu a Adega da Quinta da Touriga Chã, da autoria do arquiteto António Leitão Barbosa. O projeto inspira-se na arquitetura tradicional da região e integra-se harmoniosamente na paisagem graças a duas naves paralelas de xisto e ferro, que surgem desalinhadas, como se deslizassem uma sobre a outra. Esta estrutura, ajustada à topografia acidentada da zona, tem ainda uma finalidade prática, a de permitir o processo de produção natural de vinho por gravidade, já que os lagares estão por cima das cubas e cascos de armazenamento. A adega foi eleita entre 14 concorrentes como exemplo de qualidade arquitetónica no contexto de uma paisagem «cultural, evolutiva e viva» como o do Alto Douro Vinhateiro.

Museu do Côa

Vila Nova de Foz Côa voltou a dar cartas na edição de 2013/14 com o emblemático Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa. O edifício projetado pela dupla formada por Camilo Rebelo e Tiago Pimentel, qual nave que irrompe sobranceiro ao Douro, mereceu muitos elogios de um júri presidido por Siza Vieira. Situado nas proximidades da cidade duriense, o edifício desenvolve-se em quatro pisos que englobam auditório, serviço educativo, área administrativa, loja e salas expositivas. Construído no sítio de José Esteves, sobranceiro à foz do Côa no Douro, o museu estabelece uma forte interação com a paisagem. No interior do segundo maior museu do país – tem 6.600 metros quadrados de área coberta, o visitante pode contextualizar e ficar a conhecer a arte paleolítica descoberta nas margens do Côa, uma área considerada Património da Humanidade pela UNESCO. Lá estão vários achados daquele período, representações de gravuras e reconstituições a três dimensões de algumas rochas, com destaque para a verdadeira obra de arte paleolítica do Fariseu. O edifício acolhe ainda a sede do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC).

Centro de Alto Rendimento do Pocinho

Três anos depois o Prémio de Arquitetura do Douro foi para o Centro de Alto Rendimento (CAR) do Pocinho, projetado pelo arquiteto Álvaro Fernandes Andrade. O júri voltou a destacar uma solução construtiva que privilegia a integração na paisagem ribeirinha daquela localidade, já que o complexo está implantado nos socalcos. O CAR possui 86 quartos e capacidade para acolher mais de 180 atletas, que têm à sua disposição uma zona de treino, piscina coberta, ginásio, cantina e uma zona social. Para Gustavo Duarte, presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa, a arquitetura pode ser também «uma forma de trazer visitantes ao interior e a este concelho», lembrando que projetos como o Museu do Côa e o CAR do Pocinho também têm dado notoriedade ao município pelo seu traçado vanguardista.

O Prémio de Arquitetura do Douro é bienal e procura distinguir e promover boas práticas de arquitetura realizadas na região após a inscrição do Alto Douro Vinhateiro na Lista do Património Mundial da UNESCO. Lançado em 2006, por ocasião das comemorações dos 250 anos da Região Demarcada do Douro, o concurso dirige-se a intervenções de construção, conservação ou reabilitação de edifícios ou conjuntos arquitetónicos, bem como intervenções de desenho urbano em espaço público, feitos depois da classificação.

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