Por vezes a mais eloquente forma de expressão é o silêncio.
Que se não deve confundir com o estar calado.
Há silêncios que gritam com o mesmo poder da palavra. Fazem-se ouvir na ausência de resposta, na falta do aplauso, na omissão do gesto.
São silêncios que ficam de quem disse a tempo e deixou a mensagem como legado.
Pode-se cortar a palavra mas não há modo de fazer calar o silêncio.
O silêncio que ficou daqueles que partiram cedo de mais.
O silêncio da ausência naqueles que ficaram.
O silêncio que se escuta na resposta que tarda.
O silêncio pintado de cinza e cheiro a queimado.
O silêncio, incrédulo e revoltado.
O silêncio que grita perante a indiferença.
A indiferença silenciosa de quem tinha outros deveres e cuidados.
O silêncio que ri da pantomina política.
O silêncio que se envergonha da demagogia exultante.
O silêncio dos que não têm voz.
O silêncio a que foram condenados todos os deserdados das vantagens do progresso.
O silêncio desafiante.
O silêncio militante.
O silêncio como arma.
O voto de silêncio.
O silêncio na expressão da raiva, da dor, do sofrimento contido mas não esquecido.
O silêncio de desdém de quem já não acredita.
Todos os silêncios!
Por: Júlio Sarmento
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