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Era uma vez… um livro

Pequenos autores do ensino básico da Guarda publicaram “O sonho mora aqui”

O Dia Mundial do Livro foi marcado na Guarda pelo lançamento de um livro invulgar feito por vários escritores de palmo e meio. “O sonho mora aqui” é o nome da obra colectiva que contou com a participação de cerca de cem alunos do 1.º ciclo do ensino básico da Guarda. A sessão de lançamento teve lugar na última sexta-feira, no Paço da Cultura, e contou com a presença de quase todos os autores, já que, por «motivos de logística», faltaram os alunos da Estação, como lamentou a responsável da biblioteca escolar daquela escola.

Contratempos à parte, esta iniciativa resulta do projecto “Vamos escrever um livro: ao ponto acrescenta um conto!”, promovido pela biblioteca municipal, como recordou António Oliveira, director da instituição, em parceria com as bibliotecas escolares de Augusto Gil, Bonfim, Guarda-Gare, Lameirinhas e Santa Zita. A imaginação dos mais pequenos foi o limite de uma iniciativa cuja única regra era “ao ponto acrescentar um conto”. O desafio foi lançado no dia 27 de Novembro, Dia das Bibliotecas Escolares, com o pretexto de «transformar os pequenos leitores em escritores», lembrou o responsável, para quem esta obra colectiva é o «culminar de uma iniciativa», mas o seu valor vai perdurar, pois «foi escrito e pensado integralmente por crianças», sublinhou. Uma vez por semana, desde Novembro, os jovens autores das escolas primárias colocaram à prova a sua veia criativa e acrescentaram um conto numa obra colectiva. Para Margarida Dias Cardoso, responsável pelas bibliotecas escolares da Augusto Gil, Bonfim, Lameirinhas e Santa Zita, a «maior dificuldade que os miúdos sentiram foi na poesia». Por isso optou-se por fazer quadras soltas e, depois de escritas, foram feitas «pequenas correcções», recorda a professora, que garante ter tido «pouca intervenção» nesta criação. «Foi proposto que fizessem tudo sozinhos, por isso os temas foram escolhidos pelos alunos que ficaram por sua conta e imaginação», acrescenta.

«O processo e as directrizes foram iguais», explica Juvelina Aguilar, responsável pela biblioteca escolar da escola da Estação. Porém, a professora lamenta que os seus pequenos escritores não tivessem podido estar presentes no lançamento do livro «por questões de logística». Um percalço ultrapassado segunda-feira com uma sessão particular de lançamento do livro. A professora diz-se, no entanto, bastante satisfeita com o produto final, que é, de certa maneira, uma sensibilização «para que os alunos possam adquirir o vício da leitura e da escrita». E para uma próxima edição ficou já a promessa do animador cultural, Américo Rodrigues, de que «todos os artistas vão participar na própria edição do livro», que desta vez ficou a cargo da Câmara da Guarda. «Era uma vez um planeta perdido na imensidão do Universo chamado P.D.A. (Planeta dos Aventureiros)», conta a Ana, de 9 anos, aluna da escola do 1º ciclo do Bonfim, mas na sua história e do seu colega, Bruno, 10 anos, ainda houve espaço para o planeta dos brinquedos, dos amigos, dos linguarudos, dos livros, da matemática, entre outros. A história era longa, mas Ana sabia-a na “ponta da língua”, tal como os restantes pequenos escritores que surpreenderam todos com a sua capacidade de memorizar, integralmente, alguns dos textos que compõem o livro. Para a pequena Ana, «a poesia foi a parte mais complicada», mas nem por isso deixou de a escrever. O tema do seu poema foi sobre a «natureza e o espaço». Já a Rita, do 4.º ano na escola de Santa Zita, escreveu sobre a amizade, um poema intitulado “A Floresta Encantada” que lhe ensinou «muito», garante. Através das frases que construíram em conjunto passou a compreender melhor o «verdadeiro significado da amizade», explica Rita.

Patrícia Correia

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