A Comissão Europeia (CE) aprovou um apoio de 15,7 milhões de euros para o Data Center da Altice (ex-PT) na Covilhã, um projeto orçado em quase 59 milhões de euros.
O projeto apoiado contempla a conceção e construção do centro de suporte operacional e do primeiro módulo técnico do Data Center, o único em funcionamento atualmente, que estarão «na vanguarda da alta tecnologia e da eficiência energética», considera a CE. Em comunicado, a Comissária da Política Regional, Corina Cretu, sublinha que o Data Center, agora propriedade da Altice, dará «um contributo muito importante para o reforço da posição de Portugal no setor das altas tecnologias e da competitividade da economia nacional». A responsável adianta que o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, de onde saíram as verbas, tem por objetivo acompanhar os Estados-Membros na transição para uma economia baseada no conhecimento. «Espero poder vir a assistir ao lançamento de mais projetos como este no futuro», acrescentou a Comissária. Nesta fase, o Centro tem capacidade para acolher a instalação de 10.000 servidores ligados à rede de fibra ótica de alta velocidade e estima-se que venha a criar diretamente 86 novos postos de trabalho e outros 500 de forma indireta.
O Data Center é cofinanciado ao abrigo do período de programação 2007-2013, durante o qual Portugal recebeu 21,5 mil milhões de euros de fundos da política de coesão e, no período de 2014-2020, deverá poder contar com 21,46 mil milhões de euros, adianta a Comissão Europeia. O projeto foi inaugurado em setembro de 2013 e até ao final do ano passado ainda não havia certezas de que seria apoiado por Bruxelas. Em setembro de 2015, O INTERIOR noticiou que este atraso teria a ver com a «fraca viabilidade económica do projeto, o facto de uma empresa como a PT não precisar de incentivos para investir e o buraco criado pelos investimentos em papel comercial do Grupo Espírito Santo». Inicialmente, previa-se que este centro de armazenamento de dados, um dos dez maiores do mundo, viesse a criar 400 postos de trabalho diretos e mil indiretos, com elevado grau de especialização. Os quatro módulos, de três mil metros quadrados cada, projetados por Carrilho da Graça teriam capacidade para mais de 50 mil servidores com 30Pbytes (podendo armazenar mais de 75 milhões de filmes em HD, mais de 14 mil milhões de fotografias e mais de 3 mil milhões de músicas). Contudo, mais de dois anos depois, apenas um bloco foi construído e foram criados cerca de 200 postos de trabalho.
Luis Martins


