O que mais impressiona é a sua inquietude. Não consegue estar parado, mesmo nos momentos de trabalho. Dança quando conversa, quando se exprime, parecendo ser a sua forma de concentração. Parece que dança, rodopia sem parar e não é nenhuma dança das que se aprende. Será concentração mas é desconcertante.
A avó diz que ele tem “bichos-carpinteiros”. É muito alto para a sua idade de nove anos. É magro como os genes do pai, mas estarão ainda nele adormecidos outros genes. Só pode. É trôpego, desajeitado no andar e pior ainda no correr. Anda sempre esmurrado nos joelhos. Sonha com futebol, jogadores, clubes e seleções. Adora desporto, o petiz, mas é nos números da matemática que sabe marcar golos. É muito melhor do que alguma vez foi o pai e já iguala a mãe na rapidez do cálculo. Gosta de xadrez e até já ganhou uma taça num torneiro de rápidas. Já experimentou a robótica mas não tem paciência para a metodologia e o planeamento. E é aqui que entra o teatro. Obrigando-se a trabalhar com regras e em interação com os outros. O Miguel frequenta a ADoT desde os sete anos e faz-lhe bem.
Adalberto Pinto de Almeida, sobre o Miguel


