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«A minha liderança não está em causa com estes resultados»

José Albano Marques está no centro da tormenta após o descalabro eleitoral do PS no distrito da Guarda

É preciso recuar aos primórdios da democracia em Portugal para encontrar uma votação tão baixa do PS no distrito da Guarda nas legislativas. Foi assim nas primeiras eleições e na década de 80, quando os socialistas procuravam impor-se numa região dominada pela direita conservadora. Voltou a ser assim no último domingo, com pouco mais de 28 por cento dos votos e menos 10.531 eleitores, o que resultou na perda de um deputado para o PSD.

O PS não ganhou em nenhum dos 14 concelhos do distrito e o seu melhor score fica-se pelos 34,9 por cento em Manteigas. Face a estes dados avassaladores, o ambiente era de grande desalento e desilusão na sede da Federação. Por cá, José Albano Marques, o presidente da estrutura distrital e número dois da lista, que não foi eleito, tentava encontrar uma explicação para tamanho descalabro eleitoral. «Sabíamos que havia bastante descontentamento, até porque na campanha fomos ouvindo as angústias das pessoas. Mas não estava nas nossas previsões uma derrota tão pesada», admitiu, constatando que o PS também sofreu na Guarda «a tendência nacional». Na sua opinião, é tempo agora de «virar a página desta derrota» e preparar as próximas eleições: «Vamos tentar inverter este cenário terrível, pois quero ganhar mais Câmaras no distrito e para isso o partido tem que estar organizado», declarou.

Por isso, o líder da Federação, reeleito em 2010, recusa seguir o mesmo caminho do secretário-geral do partido, que se demitiu no domingo. E justifica: «Foi uma posição pessoal de Sócrates, pois era candidato a primeiro-ministro. Sofreu uma derrota, que afeta toda a gente, mas era ele o candidato. Eu, enquanto candidato a deputado, não tenho que pedir a demissão da Federação, pois a minha liderança não está em causa. Até porque houve eleições internas há bem pouco tempo e não foram com certeza os 2.400 socialistas da Guarda que deram a derrota a Sócrates nestas legislativas», sublinhou. Como ficou pelo caminho, José Albano recorda a Paulo Campos, o único eleito socialista pelo círculo da Guarda na Assembleia da República, que terá «uma responsabilidade enorme no distrito para defender os nossos interesses e ser a nossa voz em Lisboa». Pela sua parte, «cá estaremos a trabalhar em prol do interesse da Guarda».

Quanto ao futuro do partido em termos nacionais, o líder da Federação guardense não faz «especulações» sobre os candidatos à liderança, mas garante que apoiará sempre «aquele que melhor servir os interesses do distrito». Em Lisboa, Paulo Campos preferiu falar em «dever cumprido» em vez de «desilusão» com o resultado obtido. «Cumprimos a nossa função, que era lutar para que o PS tivesse outro resultado, queríamos mais. Mas a votação foi em linha com o resultado nacional e semelhante a 2009», declarou. O novo deputado pela Guarda promete que vai assumir o compromisso de «colocar a Guarda no “coração” de Portugal» e que «nos próximos dias» vai trabalhar para implementar as cinco propostas que apresentou na campanha. «Não descansaremos um único dia, o nosso compromisso é conseguirmos trabalhar pelo desenvolvimento do distrito», acrescentou Paulo Campos. No entanto, avizinham-se tempos difíceis para José Albano Marques, cuja liderança já está a ser posta em causa por alguns destacados militantes.

Luis Martins «Não estava nas nossas previsões uma derrota tão pesada», admitiu o presidente da Federação socialista

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        estes resultados»

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