O Centro de Recursos, em colaboração com a turma C do 12º ano, levou a cabo uma Exposição sobre Pedro Renca, o Poeta do Mês de Fevereiro no CR. Esta Exposição antecedeu a vinda do autor à escola onde teve um colóquio com a turma, que desenvolve em Área de Projecto um trabalho sobre aspectos interessantes da psiquiatria. Em Maio de 2008, Pedro Renca publicara “Historinhas de Psiquiatria” com prefácio do médico-psiquiatra António Manuel Gomes, actual Director Clínico do Departamento de Psiquiatria da Guarda. As ilustrações são do próprio autor do livro.
O que é que o motivou a enveredar pela enfermagem?
Esta profissão sempre me fascinou desde muito pequeno… Gosto de estar em contacto com as pessoas, de poder ajudar o mais fraco e vulnerável… de cuidar e contribuir para um sucesso terapêutico e consequentemente, para a felicidade da pessoa fragilizada. A possibilidade de, juntamente com a pessoa necessitada, encontrar uma solução para o seu problema e/ ou prevenir e promover a sua saúde, esteve sempre presente na minha escolha profissional. Assim, escolhi a Licenciatura em Enfermagem, podendo aprofundar os meus conhecimentos mais tarde, ao ir para Coimbra tirar o Mestrado em Toxicodependência e Patologias Psicossociais. Em 2008, concluí a minha Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Psiquiatria e Saúde Mental na Escola Superior de Saúde da Guarda. Neste momento desempenho funções no Departamento de Psiquiatria e de Saúde Mental da Unidade Local de Saúde da Guarda, EPE.
Como relaciona o seu talento para a escrita com a sua profissão?
Como qualquer forma de comunicar, seja qual for a expressão artística utilizada, ela facilita o sucesso e a eficácia de poder chegar ao outro, de estabelecer uma relação de ajuda. Assim, na minha vida pessoal, toda a expressão artística que crio surge nesse sentido. Também no contexto profissional, tanto a escrita como a pintura, a música ou a fotografia, surgem como possibilidade e estratégia de poder chegar mais próximo dos meus utentes, isto porque, muitas das vezes, é mais fácil utilizar a comunicação não-verbal do que optar pela comunicação verbal.
Se eu tenho algum talento para me expressar artisticamente, é uma questão muito subjectiva que cabe ao receptor avaliar. Todo o meu trabalho reflecte a minha realidade, seja ela mais pessoal ou profissional. Alguns desses trabalhos têm por base a expressão sincera, inocente e humilde de alguns dos meus utentes. Mas o que defendo, aquando da criação de algo, é que não importa só a qualidade e as técnicas mais ou menos apuradas e utilizadas reflectidas no resultado final da obra, mas também a quantidade e a turbilhão de emoções envolvidas e exteriorizadas durante a realização do trabalho. No fundo, tenho a sorte de poder pôr em prática na minha vida profissional uma paixão minha, que é a arte, utilizando princípios da arte terapia (musicoterapia, terapia através da pintura…). Isso é fantástico e muito motivante.
O que o levou a publicar o seu livro “Historinhas de Psiquiatria”?
Este pequeno livrinho surge no sentido de dar voz aos meus utentes… realmente são inúmeras as histórias já vividas… no meu dia a dia, no meu trabalho, nas minhas sessões de psicoterapias com eles. Todos os textos reflectem uma realidade verídica, uma história, um delírio e um momento difícil de revelar, onde eles se escondem devido à carga de estigma por parte da comunidade.
Quais as maiores dificuldades que enfrenta no exercício da sua profissão?
Existem várias dificuldades, mas sem dúvida alguma, a maior dificuldade que encontro nesta área é a presença do estigma em relação à doença mental e ao doente mental. A sociedade ainda está repleta de falsos mitos, que dificultam muitas vezes o sucesso terapêutico e a integração das pessoas portadoras deste tipo de patologias na comunidade.
Como se sentiu ao regressar a esta escola, onde foi outrora aluno?
Realmente não consigo descrever todo o conjunto de emoções que emergiram quando voltei a entrar na “minha (nossa) escola”. Reencontrar a biblioteca, a sala de aulas, em que o azul substituiu o castanho das cadeiras de madeira, os corredores por onde em tempos corri a brincar e para não chegar atrasado às aulas, aquele cheiro e barulhinho de fundo normal de uma escola… O reencontrar e poder falar com alguns dos professores que deram a sua contribuição para minha formação, fazendo-me aquilo que sou hoje, foi deveras fantástico! Só tenho de agradecer e dizer que estarei sempre disponível para poder entrar na Escola Secundária Afonso de Albuquerque: a minha escola, porque realmente só damos valor às coisas quando passamos por elas e já não conseguimos regressar a elas…
Um abraço nostálgico…
Recolha pelo Grupo de Área de Projecto do 12º C


