O Presidente da República apelou esta terça-feira ao diálogo sobre a habitação «e nunca à violência», afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.
«Não gostei do que vi tal como, estou convencido, a maioria dos portugueses, porque não são imagens normais para uma democracia consolidada», afirmou António José Seguro aos jornalistas, no final de uma visita à Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA), em Lisboa, naquela que foi a sua primeira declaração oficial sobre os protestos realizados em Lisboa e no Porto e a intervenção policial.
O chefe de Estado acrescentou que «desde as sete da manhã de domingo» tem estado «sempre atento, preocupado, a recolher a informação, a exigir as informações» e que na segunda-feira se reuniu com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. «Esse é o papel do Presidente da República», defendeu.
Interrogado pelos jornalistas se estava a condenar a atuação da PSP, Seguro respondeu: «O que estou a dizer é que não gostei do que vi porque a violência não faz parte da cultura portuguesa. Quanto à atuação das autoridades, estão a decorrer inquéritos. Os inquéritos devem apurar se houve desvios ao Estado de direito ou não».
«O Presidente da República deve respeitar esses inquéritos. Deve pedir todas as explicações, exigir todas as explicações – foi aquilo que eu fiz – e, naturalmente, deve aguardar pelos resultados. Ninguém julga antes de saber quais são os factos», sustentou.



