A Web Summit regressa a Lisboa de 9 a 12 de novembro, ao MEO Arena e à FIL, no Parque das Nações, e a organização conta com mais de 70 mil participantes. A edição deste ano traz a maior comitiva de empresas tecnológicas chinesas alguma vez reunida num evento ocidental, com a Tencent, a Xiaomi, a XPENG, a Hisense e a Pony.ai, e marca a estreia da Apple como expositora. O espaço de exposição esgotou, e a organização está a montar 30 mil metros quadrados de pavilhões temporários para as mais de três mil empresas inscritas.
Com setenta mil pessoas a mais na cidade, a procura chega a toda a economia da noite: restaurantes, bares, motoristas de TVDE e também quem trabalha por conta própria como acompanhante. Neste meio já quase ninguém depende de casas nem de intermediários: cada uma anuncia em plataformas como a SóPaixão, escolhe os dias em que está disponível e combina tudo diretamente com quem a contacta.
O efeito mais medido é o dos hotéis. Na edição do ano passado, segundo um estudo da Nova IMS citado pelo Observador, o preço médio por noite nos hotéis da região de Lisboa subiu 26,7 %, de 119 para 151 euros, e a ocupação passou de 74,2 % para 84,8 %.
China, robôs e inteligência artificial
Além da Tencent e da Xiaomi, a delegação chinesa traz a Manus AI, conhecida pelos agentes de inteligência artificial, e fabricantes de robôs humanoides como a AGIBOT e a Galbot. Vêm também representantes do Ministério do Comércio e da Administração do Ciberespaço da China. Para Paddy Cosgrave, fundador e presidente executivo da Web Summit, a adoção das tecnologias chinesas de inteligência artificial e robótica não dá sinais de abrandar.
Entre os oradores já confirmados estão Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, a Segurança e a Democracia, Matthew Prince, cofundador e presidente executivo da Cloudflare, e Mike Cannon-Brookes, cofundador e presidente executivo da Atlassian. Ao todo, os 17 palcos vão receber mais de 700 fundadores e executivos.
Uma cimeira que continua a crescer
A edição de 2025 juntou 71.386 participantes de 157 países e 2.725 startups. O número de investidores passou de 1.066 em 2024 para 1.857, uma subida de 74 %. Este ano, Cosgrave diz ter contratado mais de cem pessoas a tempo inteiro e descreve a preparação como “uns meses loucos”.
O crescimento tem um custo para quem visita. No ano passado, o próprio Cosgrave criticou os hotéis de Lisboa que subiam os preços mais de 100 % em relação à semana seguinte, e o estudo da Nova IMS mostrou que a procura se concentra cada vez mais nos dias do evento.
Das Beiras ao Parque das Nações
Da Guarda a Lisboa são 319 quilómetros, cerca de três horas pela A23 e pela A1. A A23 já não tem portagens, por isso paga-se só o troço da A1, uns oito euros. Quem prefere o comboio tem, desde a reabertura da Linha da Beira Alta, três Intercidades por dia entre a Guarda e Lisboa, numa viagem de pouco mais de quatro horas.
No Parque das Nações, a estação do Oriente fica a poucos minutos a pé do MEO Arena e da FIL. Com os hotéis da zona cheios, muitos participantes dormem no centro e fazem o caminho de metro todos os dias. Para quem vai das Beiras em trabalho, a regra é a mesma de todos os anos: reservar o quarto cedo, antes de os preços



