A Câmara da Guarda adjudicou, esta segunda-feira, a construção do Museu dos Sabores da Serra da Estrela, na Praça Velha. O executivo aprovou, por unanimidade, a entrega da empreitada à empresa António Saraiva & Filhos, da Guarda, por pouco mais de 2,6 milhões.
Contudo, a obra só poderá avançar quando a autarquia obtiver garantia de financiamento, realçou António Fernandes, vice-presidente da Câmara, que presidiu à reunião quinzenal do executivo na ausência de Sérgio Costa, que viajou até à Argentina para assinar o acordo de geminação com o município de Marcos Paz. «Em boa hora concluímos este processo, um processo e um projeto que não tem financiamento, mas que é uma obra estruturante, diferenciadora e aglutinadora para o centro histórico da Guarda», adiantou o vice-presidente da autarquia. António Fernandes realçou que terão de ser encontradas «outras formas de financiamento – próprio ou de alguma candidatura que possa abrir», mas deixou a garantia que «se não aparecer um financiamento, terá de ser o município, com recursos próprios, a avançar com o projeto».
Da coligação PSD/CDS/IL, João Prata considerou que a adjudicação do Museu dos Sabores «é uma boa notícia para a Guarda, muito esperada pelos guardenses». O vereador congratulou-se ainda por a autarquia ter «entregue, finalmente, a obra». Também o socialista António Monteirinho considerou que, «finalmente, chegamos a bom porto» com a adjudicação da empreitada, uma vez que o processo ficou marcado «por tantas retificações, anulações e questões relacionadas com os procedimentos administrativos do projeto e do contrato». A tal ponto que chegou a chamar-lhe «“Museu dos Dissabores”». Ainda assim, António Monteirinho disse-se preocupado com a verba para realizar os trabalhos, uma vez que «é preciso ter garantias de que vai haver financiamento, seja através de uma eventual candidatura ao Portugal 2030, em “overbooking”, ou a outros programas aos quais a Câmara pode estar atenta, nomeadamente na questão do turismo na região Centro».
O futuro Museu dos Sabores será um espaço destinado à promoção e degustação de produtos endógenos da região, que terá no rés-do-chão uma zona expositiva, área de degustação e também um espaço para “workshops” de gastronomia regional. Os pisos superiores serão destinados a áreas de trabalho. O espaço vai nascer da reabilitação de três edifícios contíguos à sede da Comunidade Intermunicipal Região das Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE), na Praça Luís de Camões, no centro histórico da cidade.
Na mais recente reunião quinzenal do executivo guardense foi dado por encerrado o processo de arrendamento de 26 habitações a custos acessíveis na Guarda-Gare. Foram apresentadas 256 candidaturas para arrendamento de casas de tipologia T1 e T4. O sorteio vai acontecer esta quarta-feira nas instalações do IHRU em Lisboa, entidade que geriu o processo, numa operação financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). António Monteirinho mostrou-se preocupado e alertou que 256 candidaturas para 26 casas comprova que «não existe habitação suficiente e necessária para a população que reside na Guarda». O socialista lembrou que os candidatos são famílias com «dificuldades em pagar uma renda fora deste programa de apoio social, e isto merece uma reflexão mais profunda».
António Fernandes concordou, mas assinalou que se trata de arrendamentos a preços «cerca de 20 por cento abaixo do valor de mercado, o que é bastante aliciante», daí haver candidatos a estes programas. Ainda assim, o vice-presidente da autarquia afirmou que o município tem vindo a desenvolver «iniciativas e a fazer investimentos do PRR, no âmbito da habitação social ou a custos controlados». Na segunda-feira, o presidente em exercício anunciou que os trabalhos do projeto de Regeneração e Mobilidade Urbana do Vale do Cabroeiro, que inclui a construção da Variante da “Ti Jaquina”, vão «arrancar neste mês de outubro». O que se tornou possível com a aprovação, por unanimidade, da ratificação da adjudicação do concurso público para os serviços de fiscalização e coordenação e segurança e gestão ambiental da empreitada.
O projeto “Teatro nas Escolas”, dinamizado por Daniel Rocha, também deu que falar, com os vereadores Alexandra Isidro (PSD) e António Monteirinho (PS) a questionar o porquê do suposto «cancelamento» da atividade. «Afinal, foi-nos dito que não era nada disso e que iria ser aberto um concurso para que as diversas coletividades da área do teatro se candidatem», adiantou o socialista, lamentando que este «esclarecimento já devia ter sido». Para António Fernandes, trata-se de um «projeto diferenciador, essencial, pedagógico e da máxima importância que, neste momento está em fase de análises e melhorias».
O atraso na apresentação do Relatório Semestral de Contas da autarquia guardense tem sido apontado recorrentemente pelos vereadores do PSD, e na mais recente reunião quinzenal do executivo não foi exceção. João Prata lembrou que se trata de uma «obrigação legal, no final de cada semestre o auditor apresentar o relatório de contas». O social-democrata lembrou que, em julho, o presidente da Câmara disse que «ainda era muito cedo, no entanto estamos a 30 de setembro e as contas voltaram a faltar. Isto é um atropelo à lei». O presidente da Câmara em exercício adiantou que o assunto será abordado na próxima reunião de Câmara, «uma vez que as contas estão a ser tratadas pelo presidente e achámos que deveria ser apresentado pelo edil».
A reunião do executivo guardense desta semana ficou ainda marcada pelo voto de pesar e o cumprimento de um minuto de silêncio pelo falecimento do antigo jornalista e voz da Rádio Altitude, Emílio Aragonez.
Museu dos Sabores adjudicado à António Saraiva & Filhos por 2,65 milhões de euros
Executivo aprovou a obra por unanimidade, mas ainda sem financiamento garantido para a empreitada



