O Centro Interpretativo da Necrópole de Moreira de Rei, no concelho de Trancoso, foi inaugurado no domingo passado na Igreja de Santa Marinha e pode ser visitado de terça a domingo.
O equipamento faz o enquadramento deste importante e gigantesco achado, revelado, há cerca de uma década, durante trabalhos de conservação, proteção e valorização do conjunto formado pela Igreja de Santa Marinha, a necrópole envolvente e o Pelourinho, todos classificados como monumento nacional desde 1932. Na altura, foi descoberta uma necrópole rupestre «com cerca de 780 sepulturas antropomórficas cavadas na rocha, no granito», lembra Daniel Joana, presidente da Câmara de Trancoso.
O autarca acrescenta que se trata de um dos «maiores achados arqueológicos deste tipo» na Península Ibérica. «Não foi possível manter as 780 sepulturas à vista porque não havia condições técnicas para garantir a sua preservação a médio prazo, pelo que ficaram expostas ao público cerca de 170, selecionadas por apresentarem o melhor estado de conservação», que agora são complementadas com o Centro Interpretativo, refere.
Daniel Joana realça que no interior da Igreja de Santa Marinha o visitante pode, a partir de agora, «aceder a informação científica sobre aquilo que os arqueólogos conseguiram descobrir ao longo destes anos de estudos e prospeções». Este espaço museológico foi concebido para explicar, através de conteúdos textuais e interativos, a evolução do espaço funerário ao longo do seu milénio de existência. Serve também para «contemplar o espólio descoberto, desvendar os rituais funerários praticados nas épocas medieval e moderna e, por fim, conhecer a história da população que ali encontrou a sua última morada», adianta o município.
Com este projeto, Moreira de Rei, «além de um castelo muito sui generis, com parede em rocha natural, o pelourinho e a Igreja de Santa Marinha passa a oferecer este Centro Interpretativo com toda a história» sobre um importantíssimo achado arqueológico, considera o presidente da Câmara de Trancoso.



