Especial 19º Concurso de Vinhos da Beira Interior

«Muitos vinhos ficaram de fora dos prémios, mas tinham avaliação suficiente para serem galardoados»

Escrito por Sofia Pereira

Rodolfo Queirós realça que têm aparecido produtores de vinho em «sítios que não eram comuns»

Cerca de uma centena de vinhos da região foram avaliados no 19º Concurso de Vinhos da Beira Interior, cujas provas cegas decorreram a 22 e 23 de junho, no Solar dos Vinhos da Beira Interior, na Guarda, com enólogos e especialistas de vinhos de vários pontos do país.

Segundo as regras do concurso, apenas podiam ser galardoados 30 por cento dos vinhos concorrentes e Rodolfo Queirós, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), destacou que «muitos ficaram de fora dos prémios, mas tinham avaliação suficiente para serem galardoados». No entanto, a quantidade de vinhos que não foram distinguidos este ano «evidencia a qualidade geral dos nossos vinhos», realçou. Rodolfo Queirós atribuiu esse crescimento aos produtores da Beira Interior, que «têm aparecido de dia para dia com novos projetos e alguns em sítios que não eram comuns, como, por exemplo, em Celorico da Beira, onde não tínhamos nenhum produtor e agora vai nascer um projeto com cerca de 15 a 20 hectares de vinha exatamente para enoturismo».

O presidente da CVRBI adiantou que atualmente a Comissão Vitivinícola tem associados na Sertã, Proença-a-Nova, Oleiros e Penamacor, no distrito de Castelo Branco, «concelhos que não era habitual terem produção de vinho». O responsável acrescentou que os produtores querem «ter marcas próprias» e que esse objetivo está «a elevar a qualidade dos produtos da nossa região, que é o mais importante». Segundo Rodolfo Queirós, o paradigma de consumo de vinhos «mudou muito», como também o setor: «O vinho era muito masculino. Hoje, há muitas mulheres enólogas e isso traz uma forma diferente de ver as coisas». Além disso, atualmente o consumidor «bebe com mais moderação, mas é cada vez mais exigente», o que faz com que os produtores e as Comissões Vitivinícolas tenham de «capacitar os seus produtores, apostar em projetos como o “Wine Villages”, para que tenhamos pessoas que saibam falar do território e dos nossos produtos», justificou.

Rodolfo Queirós sugeriu nesta rota enoturística devem ser apresentadas as «mais-valias da região» e revelou que, atualmente, há operadores turísticos a visitar o território para que depois seja possível «vender estas experiências a agências de viagem». Da mesma forma que neste momento os operadores turísticos estão pela Beira Interior, o presidente da CVRBI recordou que, em 2026, a Comissão Vitivinícola já esteve em feiras na Alemanha e França e referiu que os vinhos da Beira Interior estão também a chegar à Coreia do Sul, Brasil, Suécia, Noruega e Taiwan. «Este ano, ainda iremos à Polónia, Alemanha, Bélgica e Países Baixos com o objetivo de dar condições aos nossos produtores para diversificar o mercado e arranjar novas oportunidades de negócio».

No próximo ano realiza-se a 20ª edição do Concurso de Vinhos da Beira Interior e da Gala, momento que será celebrado com «algo especial». Segundo o presidente da CVRBI, «as ideias vão aparecendo, mas estão como os vinhos, a fermentar».

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Sofia Pereira

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