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O porta-luvas

Bilhete Postal

O.C. é uma série sobre a família americana, sobre bons e maus, sobre como os bons, por vezes, são horríveis e os maus esporadicamente são bons. Tem um pouco da literatura “light” com sais de sexo, desejo, traição, aventura, sangue, suor e lágrimas. No fundo, é uma série sobre todos nós em roupagem americana. Uma família de classe alta que tem tudo e por isso tem muito a perder se as coisas correm mal. No meio disto há música e da melhor que conheço. Por exemplo “Death Cab for Cutie”, com o disco “Transatlanticism” é uma divulgação da série. Assim se cumprem muitos objectivos com estas coisas. Não é bem a ideia de facturar milhões sempre com o mesmo produto e a mesma gente que vemos nos “Morangos com Açúcar” e na “Floribela”. Pobrezas da nossa identidade. Nos “Death Cab” o tema “Title and Registration” é uma glosa ao “glove compartment” onde nunca encontramos luvas mas sim recordações de outros tempos. “Deparei-me com fotos que queria esquecer” e também “souvenirs from better times”. É um disco acima da média pop e nos últimos tempos só lhe comparo Mayra Andrade num CD de que também Prado Coelho se encantou. Mas a coisa resume-se a dois ou três temas interessantes, um dos quais “dimokransa” vai longe na paródia sobre o populismo e na crítica das verdades dos políticos. Talvez também por tudo isto as TV’s serventuárias de poderes não possam divulgar música. E de Espanha recomendo vivamente os andaluzes “Chambao”, que carregam “endorfinas en la mente”. Tenho este prejuízo de me deliciar entre histórias e sons. O meu porta-luvas carrega discos e DVD’s para ir perfumando a minha estrada. E tu? Que levas por lá esquecido?

Por: Diogo Cabrita

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