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Boom Festival começa hoje

Festival de cultura psicadélica vai apresentar novas tecnologias ecológicas

A cultura psicadélica vai voltar a animar a partir de hoje e até dia 9 as margens da Barragem Marechal Carmona, na Herdade do Torrão, em Idanha-a-Nova, em mais uma edição do Boom Festival, onde são esperadas entre 15 a 20 mil pessoas de 63 nacionalidades diferentes. Facto que, para a organização, comprova apenas a «projecção mundial do Boom», realça Artur Silva.

Aquele que é considerado um dos mais importantes eventos de trance psicadélico da Europa apresenta-se nesta sexta edição com mais música, arte, multicultarismo e novos conceitos ecológicos. A ecologia assume-se assim nesta edição como tema principal do evento, com a organização a apostar na bio-ecologia e em equipamentos sustentáveis com o meio ambiente. É o caso dos sanitários ecológicos que não precisam de água para funcionar e de chuveiros eficientes instalados ao longo do recinto. Uma tecnologia inédita neste tipo de eventos e que foi concebida por uma empresa brasileira, a Ecocentro IPEC (Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado) e financiada pela Fundação Banco do Brasil. «O Boom tem crescido muito desde 2004 ao nível dos conceitos. Aquilo que era um festival de arte e culturas alternativas está a caminhar para um festival ecológico», refere Artur Silva, da organização, referindo que o respeito pela natureza sempre foi uma das regras deste festival bianual que se realiza desde 1997.

Ao todo, estarão instaladas em toda a aldeia Boom 18 casas de banho ecológicas que, em vez de água, funcionarão através da adição de uma pequena quantidade de serradura aos dejectos humanos que, depois de expostos ao sol, serão transformados em fertilizante orgânico. Outra novidade prende-se com os chuveiros concebidos para poupar água, um total de 56, que irão reduzir em cinco litros a quantidade de água disponibilizada a cada utilizador por duche. «Com esta torneira económica vamos conseguir poupar cerca de 80 por cento da água», salienta Artur Silva. Além disto, serão ainda disponibilizados sabonetes e champôs ecológicos, de forma a diminuir os efeitos tóxicos enviados para o meio ambiente. Outra das novidades ecológicas prende-se com a utilização de bambu em todos os edifícios nas três áreas temáticas – Dance Floor, Chill Out e Luminage Village- da responsabilidade do bio-arquitecto indonésio Amir Rabik e de outros artesãos de Bali. «Não pretendemos fazer apenas um festival de entretenimento, mas um festival de conceitos», explica o responsável, apontando a «responsabilidade social e a auto-responsabilização» como factores fortes do Boom.

Músicos e DJ´s de todo os cantos do mundo

De resto, os amantes da música trance poderão vibrar na pista principal (Trance Floor) com os vários tipos de trance, desde o psicadélico ao mais melódico. Aqui, estarão representados mais de uma centena de músicos e Dj’s vindos praticamente dos quatro cantos do mundo, desde o Brasil à África do Sul, passando pela Índia, Japão, EUA e países europeus. Haverá também a zona de “Chill Out” com sonoridades mais descontraídas, como o dub, ambient, reggae ou word music, e ainda uma nova zona de música, o Sacred Fire, destinado para a música acústica. Neste espaço, onde tocarão as Tucanas, por exemplo, estarão presentes 18 grupos de Portugal, Austrália, Brasil, Inglaterra, França e Espanha. Os participantes poderão ainda optar por escutar alguns pensadores, artistas e cientistas no Lumminage Village, um espaço dedicado ao debate de temas relacionados com a cultura psicadélica, práticas ancestrais de meditação, entre outros temas. Na área envolvente, haverá ainda cerca de 20 instalações multimédia para dar mais ambiente e cor ao festival, para além de exposições e outras manifestações artísticas.

Liliana Correia

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