Grupo empresarial nortenho estima investir «entre 15 a 20 milhões de euros» na requalificação da unidade hoteleira, que prevê reabrir dentro de dois anos como hotel 5 estrelas
Chegou ao fim mais um capítulo do conturbado processo Hotel Turismo, que está encerrado desde outubro de 2010. Na segunda-feira, o Grupo Lince Hotels e o Turismo de Portugal assinaram o contrato de arrendamento do imóvel cuja requalificação deverá custar «entre 15 a 20 milhões de euros», admitiu Domingos Correia. O CEO e administrador da empresa vencedora do concurso publicado lançado a 31 de março adiantou que o objetivo é reabrir unidade «dentro de dois anos».
«Não posso desvendar muito, porque ainda não temos os valores aproximados, mas poderão andar muito perto disso, entre 15 a 20 milhões de euros», disse o empresário aos jornalistas no final da cerimónia realizada junto ao edifício. O projeto de requalificação do edifício projetado por Vasco Regaleira e inaugurado a 6 de julho de 1947 vai ser feito pelo arquiteto Carvalho Araújo, autor da adaptação para hotel do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde, também gerido pelo Grupo Lince Hotels. «O objetivo é reabrir o Hotel Turismo daqui a dois anos e a ideia é, talvez, apostar numa unidade de cinco estrelas, com spas com alguma dimensão e duas piscinas, tendo como público-alvo o mercado espanhol e norte-americano, que não estão a olhar o valor que pagam, mas estão a olhar para a qualidade do serviço», acrescentou.
Domingos Correia garantiu também que o futuro Turismo «não será mais um hotel do grupo, será um hotel de referência», tendo admitido que ficou «muito surpreendido» com o edifício e por o hotel estar fechado há 16 anos. «Eu vim cá e achei um crime, olhando para o potencial do turismo em Portugal, que está num crescimento fantástico. O edifício em si tem um carisma». No entanto, o administrador da Lince Hotels considerou que «um hotel só para a Guarda não iria lá, terá que ter ferramentas e atividades que ocupem os hóspedes, para que consigamos trazer americanos, espanhóis. Estamos perto da fronteira, e foi isso que nos fez olhar para o investimento da Guarda».
O Grupo Lince Hotels foi o vencedor do concurso público lançado pelo Turismo de Portugal para a reabilitação e requalificação do edifício, com opção de compra, a partir do quarto ano. Segundo o procedimento, o vencedor vai pagar uma renda mínima de 3.858,34 euros, sendo a duração do arrendamento de 50 anos. Se acionar a opção de compra, o que poderá fazer a partir do quarto ano do arrendamento, o adjudicatário terá que pagar um pouco mais de 6,8 ME ao Turismo de Portugal, proprietário do edifício.
Para Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, «o “capítulo” Hotel Turismo está encerrado depois de um conjunto de ações durante os últimos anos que, por esta ou outra razão, não houve condições para serem concluídas. Hoje, é um momento importante, porque celebramos um contrato de arrendamento por 50 anos, com opção de compra do imóvel, uma novidade relativamente àquilo que foram os procedimentos anteriores». Para o responsável, «a solução está encontrada, está contratualizada e agora é o tempo de fazer o investimento e esperamos que no prazo de dois anos a obra esteja concluída e a inauguração do hotel possa ser uma realidade». De resto, Pedro Abade realçou o currículo da empresa: «Pela sua prestação noutros investimentos que tem feito, o adjudicatário tem aqui uma credibilidade acrescida para fazer do Hotel Turismo da Guarda não apenas um hotel, mas sobretudo um hotel de referência para a Guarda e para a região».
Já Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda, lembrou que houve «cinco tentativas» para reabrir o Hotel Turismo, que foram «cinco desilusões». Segundo o autarca, desta vez, «o hotel não reabre por decreto, tem, pela primeira vez, um nome, um contrato e uma data. É a prova que a pressão da Guarda teve efeito». Para Sérgio Costa, «faltava um hotel de bandeira na cidade mais alta de Portugal». Também presente na cerimónia, Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, recordou que este foi um processo em que se «atravessou um bocado», mas que agora o assunto está encerrado. «O que estamos aqui a fazer é a assinatura do contrato com a empresa que vai, a partir de agora, apresentar o projeto à Câmara Municipal, que já o está a desenhar, e a partir daqui lançar a obra física para a recuperação do hotel», afirmou.
O governante congratulou-se ainda com o que ouviu do grupo empresarial vencedor. «Há uma ambição que ultrapassa aquilo que era talvez a expetativa criada para este hotel. É, no fundo, dotá-lo de mais infraestrutura, reequilibrar e, eventualmente, até reequacionar alguns espaços disponíveis, transformá-los para maior comodidade, maior conforto e maior resposta àquilo que o mercado hoje exige».
Cinco tentativas falhadas de concessão desde 2011
O Hotel Turismo da Guarda foi inaugurado em 1947 e fechou portas em outubro de 2010. Em abril do ano seguinte a Câmara da Guarda vendeu o imóvel ao Turismo de Portugal, para realizar um investimento estimado em 10 milhões de euros e reabrir como Escola de Hotelaria e Hotel de Aplicação. Em 2012, o Governo PSD/CDS desistiu do projeto e os Governos seguintes, do PS, optaram por integrar o imóvel no programa REVIVE – Reabilitação, Património e Turismo. Entre 2017 e 2021 foram feitas três tentativas de concessão, mas sem sucesso. Em 2022, o imóvel foi desafetado do programa, tendo sido integrado na rede de Pousadas de Portugal no ano seguinte. Em dezembro de 2025 foi revogado, por mútuo acordo, o contrato de arrendamento que o Turismo de Portugal tinha celebrado com a ENATUR, voltando o processo à estaca zero. Esta foi sexta tentativa para reabrir a emblemática unidade hoteleira da Guarda, o que deverá acontecer com a chancela do Grupo Lince Hotels.



