Os resultados do novo estudo da PISA revelado esta semana mostram um resultado interessante. Os jovens portugueses estão piores, em termos de competências educativas, do que em 2015 e, em algumas áreas, piores do que em 2006. Uma conclusão do estudo mostra que os estudantes portugueses perderam o equivalente a um ano e meio de aprendizagens. O autor desta análise deve ser um negacionista do Covid porque parece mesmo de propósito que tenha escolhido dizer que o retrocesso das aprendizagens escolares em Portugal é exactamente igual ao período de tempo que as escolas estiveram fechadas durante a pandemia. Não há coincidências, já dizia a maior vendedora de livros de ficção em Portugal no início do milénio.
Parece que os autores deste estudo querem mostrar que o encerramento das escolas durante um ano e meio – o período mais longo de encerramento de estabelecimentos de ensino na União Europeia durante a pandemia – foi muito prejudicial para a aprendizagem das crianças e jovens. Isso é uma conclusão que fica lá com eles, e a que não me associo, porque não quero ser considerado um defensor da morte, só porque parece que os adultos se quiseram fechar em casa transidos de medo e se estiveram absolutamente a borrifar para o desenvolvimento das aprendizagens das crianças e dos jovens.
São educadores que amam a educação, não tenhamos dúvidas. O problema foi a idade avançada da classe profissional docente. Se apanhassem Covid, o risco de morrerem todos era mais elevado devido à provecta idade de quase todos os professores, e depois não sobraria ninguém para reeducar as novas gerações, quando as escolas reabrissem. E como o país passou décadas a desprezar a formação de novos professores, a pandemia pregou-nos este susto: estes que temos não podem ficar doentes porque não temos outros para os substituir.
Não vou aqui dizer que os perigos do vírus foram sobrevalorizados e as consequências de manter crianças e jovens fora da escola foram ignoradas, porque as declarações do doutor Fauci no Senado dos EUA e os resultados do PISA fazem isso por mim, sem que eu tenha de passar por um maluco negacionista.
Se não me faz muita diferença que digam que sou maluco, tenho algumas reservas ao epíteto de negacionista do Covid, por esta razão simples: não sou. Não nego que tenha havido uma pandemia de um vírus com uma mortalidade elevada.
Curioso é que não se use o mesmo critério para chamar “negacionista da educação” a quem negou às crianças e jovens em idade escolar o acesso à escola e à educação durante um ano e meio com os resultados que agora são bem visíveis. São os escanções dos adjectivos.
* O autor escreve de acordo com a antiga ortografia


