Sociedade

Mudanças no primeiro ciclo marcam arranque do ano letivo

Escrito por Luís Martins

A novidade diz respeito à implementação das atividades de animação e apoio à família nos jardins de infância e escolas do ensino básico

O ano letivo começa oficialmente esta sexta-feira nas escolas da Guarda. A novidade vai sentir-se sobretudo no primeiro ciclo com a implementação das atividades de animação e apoio à família nos jardins de infância e escolas do ensino básico. A mudança resulta de uma decisão do presidente da Câmara Municipal, no âmbito das competências do município no setor da Educação.
«Era uma resposta que não existia no ensino público na Guarda. A componente de apoio à família, que é legalmente de oferta obrigatória, possibilita que as crianças tenham ocupação e estejam à guarda da escola durante o período laboral dos pais. É uma alteração significativa na nossa realidade», adiantou José Carvalho, diretor do Agrupamento de Escolas Afonso de Albuquerque, a O INTERIOR. Assim, a partir deste ano letivo, os encarregados de educação que o pretenderem vão também ter uma resposta pública para esta valência que, até agora, implicava «encargos adicionais» para as famílias, que se viam obrigadas a recorrer aos privados para acolherem os seus filhos depois das aulas. «Estamos a falar de 15 por cento dos alunos do Agrupamento que aderiram, o que é relevante. Tanto mais que, nesta altura, muitas famílias já tinham compromisso assumido com outros serviços», referiu o responsável.
Na prática, segundo José Carvalho, isto significa que o jardim de infância e a escola do primeiro ciclo vão funcionar num horário mais alargado. «Por exemplo, das 7h30 às 18 horas, ou até mais, para as famílias que necessitem. Temos vários pais que têm turnos laborais a começar às 8 horas e que até este momento tinham de deixar os filhos noutras respostas para depois serem transportados para a escola, o que já não será necessário, pois ficam logo no estabelecimento de ensino», indicou. O diretor do Agrupamento realçou que, com esta medida, não se pretende que crianças sejam «depositadas na escola», mas responder às necessidades das famílias. «Vamos continuar a incentivar os pais a virem buscar os filhos para ter tempo em família. Aqueles que não podem, iremos até às 19h30 para permitir que essas crianças fiquem à nossa guarda», afirmou.
Esta alteração organizativa vai implicar mais disponibilidade dos funcionários do Agrupamento, mas a medida tem sido «bem acolhida», garantiu José Carvalho, não sem antes admitir que as mudanças são «sempre passíveis de causar alguma ansiedade ou descontentamento porque há alteração das rotinas». No entanto, o professor lembrou que «todos os profissionais da educação trabalham para os alunos e para as famílias. Isso também implica, em termos de funcionários, uma grande disponibilidade». De resto, no âmbito da delegação de competências, está previsto um reforço de pessoal, de acordo com um levantamento das necessidades de pessoal. «A Câmara da Guarda continua a ser a entidade responsável pelo primeiro ciclo e contamos com a sua colaboração para a prestação deste serviço», disse, revelando que o Agrupamento Afonso de Albuquerque vai contar com um reforço de 20 funcionários.
Posteriormente, em função daquilo que forem as necessidades, «porque a adesão a esta resposta não para de crescer – a 31 de julho, estávamos com cerca de meia centena de inscrições, neste momento duplicámos este número – e não fecha. Se um encarregado de educação decidir optar por esta resposta, a escola pública não fecha a porta», assegurou José Carvalho. Quanto ao resto, o diretor do Agrupamento acrescentou que o início do ano letivo vai começar com «tudo organizado» em matéria de turmas e horários, existindo apenas algumas colocações de professores pendentes. «São necessidades que surgem só agora em setembro e a nossa expetativa é que, se não puder ser na sexta-feira, na segunda-feira todos os professores estarão colocados».
O Agrupamento de Escolas Afonso de Albuquerque mantém um número «estável» de alunos de há três anos para cá. «Estamos a falar de aproximadamente 2.000 alunos. Cerca de 1.850 a 1.900 no ensino regular e os restantes nas demais ofertas educativas que temos», disse José Carvalho.
O responsável aproveitou a ocasião para dar as boas-vindas a alunos, professores e comunidade educativa. «Tentamos responder a todos e todos sabem que podem encontrar no Agrupamento uma porta aberta para falar connosco. Esperamos a sua colaboração, mais do que outro tipo de reações que não ajudam nada ao bem de todos», declarou. Apesar das várias tentativas, não foi possível falar com Tiago Tadeu, diretor do Agrupamento de Escolas da Sé, até à hora do fecho desta edição.

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