Sociedade

Alameda dos F’s sai do papel para o terreno

Escrito por Carlos Gomes

Presidente da Câmara da Guarda garante que «não há mais etapas administrativas e perdas de tempo» num projeto aguardado há mais de 30 anos na cidade

Está assinado o auto de consignação que formaliza a entrega do local de trabalho e dos terrenos ao consórcio de empresas da Guarda formado pela António Saraiva & Filhos, João Tomé Saraiva e Opualte para a empreitada da Regeneração Urbana e Mobilidade do Vale do Cabroeiro, que inclui a construção da Alameda dos F’s – popularmente conhecida por Variante da Ti’ Jaquina.
Trata-se de obras no valor de cerca de 10,5 milhões de euros, que ascendem a «mais de 13 milhões no total de todo o processo», especificou o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa. A intervenção vai permitir a ampliação do parque industrial da cidade, a expansão residencial e urbana dos bairros da Luz, do Pinheiro, da Póvoa do Mileu e da Sra. dos Remédios, bem como a construção da nova via rodoviária que ligará a VICEG (Via de Cintura Externa da Guarda) ao centro da cidade. Na cerimónia, o autarca referiu que «não há mais etapas administrativas, não há mais perdas de tempo. Há máquinas e trabalho». Sérgio Costa acrescentou ainda que «30 anos de espera terminaram com a assinatura de uma caneta. Agora, resolvem-se com a força de uma escavadora e as mãos dos trabalhadores da Guarda».
«Há manhãs que são apenas manhãs. Há manhãs que mudam o rumo de uma cidade e há manhãs que assinalam o início de uma nova era de desenvolvimento. A manhã de hoje [sexta-feira] é as três, ao mesmo tempo», considerou. O edil guardense recordou também que «há 30 anos que a Guarda espera por este momento. Trinta anos de promessas feitas e promessas guardadas na gaveta. Trinta anos em que este vale foi o retrato vivo daquilo que faltava fazer na Guarda». A empreitada engloba um quilómetro de novo acesso, dentro de mais de três quilómetros de vias de coesão entre bairros. «São 500 novos fogos habitacionais que esta obra vem tornar possíveis. É uma nova frente de crescimento urbano para a cidade. Hoje, deixou de ser um sonho. É mais do que um projeto. A partir de hoje, arranca o estaleiro», afirmou.
Sérgio Costa fez questão de referir ainda que «estamos na rotunda das piscinas da Via de Cintura Externa, um ponto que, até agora, era apenas um obstáculo, uma rotunda que só tinha uma entrada e uma saída, que mostrava ao país que na Guarda faltava algo». Mas, dentro em breve, será «um portal da nossa cidade porque é aqui, exatamente aqui, que a Guarda se vai finalmente cumprir a si própria». O presidente do município também destacou que a obra vai ser feita «por mãos da Guarda», aludindo ao consórcio de três empresas do concelho que ganhou o concurso público. «O investimento e o emprego ficam cá. A riqueza fica cá», regozijou-se.
David Saraiva, gerente da empresa António Saraiva e Filhos, adiantou a O INTERIOR que, depois da assinatura do auto de consignação da empreitada, vai seguir-se «a realização do levantamento topográfico, ver os papéis e estudar todo o projeto mais profundamente, assim como prepararmo-nos com os equipamentos, aprofundar a nossa organização interna e começar com a obra assim que for possível». O empresário acrescentou que numa primeira fase será montando o estaleiro, «ao mesmo tempo que começaremos com as desmatações». Segundo David Saraiva, «somos três empresas da Guarda, conhecemos o terreno, somos de cá e penso que isso é mais uma vantagem para a concretização desta obra». O responsável admitiu ainda que «estamos mais em condições agora de fazer esta obra do que estávamos há 20 ou 30 anos, mas, na verdade, preferia que já estivesse feita».
O gerente da António Saraiva e Filhos referiu também que «qualquer das três empresas tem capacidade para fazer sozinha esta empreitada, mas juntámo-nos e, juntos, vamos realizá-la». Sobre o consórcio, frisou estar «muito feliz por conseguir estar aqui, penso que estamos todos. Somos três empresas de qualidade, de referência, que não devem nada a qualquer outra empresa estrangeira». A terminar, o empresário deixou um recado: «Não sou político, sou apartidário, por isso faço um apelo para que, se nos juntámos com interesses empresariais e financeiros, os políticos da Guarda devem fazê-lo também quando está em causa o desenvolvimento da cidade, do concelho e da região».

Sobre o autor

Carlos Gomes

Deixe comentário