PS
José Sócrates pode não ter o carisma de Mário Soares ou a experiência de António Guterres, mas conseguiu aquilo que nenhum outro socialista conseguira antes em Portugal: a maioria absoluta. O novo Primeiro-Ministro tem pela frente tarefas hercúleas: da economia à administração pública, passando pelas finanças públicas, pela saúde, a ciência, a educação, tudo precisa de ser melhorado. A questão é saber se o novo Governo irá conseguir modificar o actual cenário.
O país virou à esquerda. O que é revelador da falta de credibilidade de Santana Lopes, mas também do esgotamento do PSD.
O PS conseguiu também o seu melhor resultado de sempre na região. No distrito da Guarda e no distrito de Castelo Branco obteve mesmo percentagens superiores às nacionais. Notável! O PS tem compromissos com o interior que não podem agora ser esquecidos.
PSD
A governação atabalhoada de Santana Lopes não podia ter outro desfecho: o pior resultado de sempre da direita. O PSD só não perdeu no distrito de Leiria. Mesmo em distritos, como o da Guarda, onde tradicionalmente tem bons resultados, foi o descalabro. Santana devia ter assumido na noite eleitoral a derrota e demitir-se. Optou por marcar um congresso onde irá chorar a falta de apoio dos barões do partido. Entretanto percebeu o erro, e já veio dizer que no Congresso apresentará a demissão.
A distrital de Castelo Branco assumiu a derrota e demitiu-se. A da Guarda considera que, perante a hecatombe nacional, teve um bom resultado. Ora, este é o pior resultado do PSD também no distrito. Mas pior é o resultado no concelho da Guarda. Em 2002 o PSD ficou a pouco mais de 600 votos, a 20 de Fevereiro a diferença foi de mais de 6000 votos, ou seja, o PS teve quase o dobro dos votos do PSD. Se considerarmos que Ana Manso é a líder distrital, mas também o rosto do partido na Guarda, onde é vereadora e putativa candidata à cadeira maior da autarquia, temos que ela é também o rosto de tão mau resultado. O lógico seria ter assumido que foi um mau resultado no distrito e um péssimo resultado no concelho. Não o fez…
CDS/PP
Perante um resultado que é uma derrota, mas está longe de ser uma hecatombe, Paulo Portas assumiu as responsabilidades por ter perdido votos. Ao contrário do parceiro de coligação rapidamente percebeu que tinha de encontrar o tom certo nas suas responsabilidades.
Na região, o CDS também não conseguiu manter o seu eleitorado. No entanto continua a ser a terceira força política.
CDU
A coligação saiu beneficiada pelo descrédito da direita e, mercê de uma atitude mais expressiva e dinâmica do seu novo líder, conseguiu recuperar alguns votos, contrariando a tendência de descida que registava em anteriores eleições. Na região cumpriu também com os objectivos: não perder eleitores.
BE
A vitória do Bloco, com o crescimento mais acentuado de todos os partidos, teve mais 132 por cento de votos que em 2002, a nível nacional. Passa a ter oito deputados assumindo-se como grupo parlamentar com peso efectivo no parlamento. O mais interessante é observar que o BE já não se limita às grandes cidades, pois nestas eleições registou grande crescimento fora das áreas metropolitanas.
Na Beira Interior triplicou a sua votação, comparativamente com 2002, o que não deixa de ser sintomático da sua capacidade de penetração numa região onde os partidos conservadores já dominaram. O BE ainda está longe de ter peso no interior, mas o seu crescimento é exponencial, quiçá sobretudo entre os mais jovens.
Luís Baptista-Martins
Luís Baptista-Martins


