Começa um ano novo, troca-se o calendário, mudam as miúdas na parede. Daí o povo dizer muito apropriadamente “Ano novo, diva nova”. No reinício de cada Janeiro, formulam-se sempre votos de um ano melhor, uma vida mais decente e um universo sem anedotas do Fernando Rocha. O que é curioso é dizer-se que em 2007 vamos finalmente fazer da Terra um lugar habitável e harmonioso. Pense comigo, caro leitor. Ou não. Siga apenas o meu raciocínio, que é estúpido. Se ninguém conseguiu isso nos 2007 anos que ficaram para trás – e começando a contar apenas a partir do zero – duvido que este ano é que seja. Mas não querendo contribuir para a conta de anti-depressivos dos leitores do Interior, aqui ficam, sem mais delongas (o que eu ansiei por poder escrever delongas num texto de jornal) os meus desejos para este ano.
Em 2007 gostaria que:
– Miguel Ângelo se apaixonasse por Yoko Ono e esta acabasse por separar os Delfins;
– Miguel Ângelo e Yoko Ono não se fotografassem todos nus;
– Não houvesse terramotos. A não ser em S. Bento, esses são giros;
– Floribella ficasse afónica durante, vá lá, 11 meses;
– Margarida Rebelo Pinto escrevesse um livro com um título copiado e um conteúdo original, para variar;
– Pedro Santana Lopes e Manuel Maria Carrilho fossem mais vezes à televisão, agora que acabou o Levanta-te e Ri.
– O Sporting ganhasse pelo menos um jogo importante e decisivo, só para ver como é. Depois podia voltar ao normal;
– Floribella visitasse a Disneyworld, quisesse acasalar com o Mickey (com o Pateta já ela anda na novela) e ficasse por lá;
– As autoridades da Florida não expatriassem Floribella a pretexto das cantigas parvas a dizer mal dos ricos;
– José Saramago se deixasse de merdas;
– Se aprovasse também o divórcio e o aborto entre homossexuais;
– Cavaco Silva ganhasse bochechas;
– A ERC fizesse as pazes com o seu paizinho, o Orc;
– As universidades passassem a vender finos e shots à porta das salas para aumentar as receitas próprias;
– Júlio Isidro não introduzisse mais ninguém no panorama do nacional-cançonetismo;
– Não houvesse mais nacional-cançonetismo;
– Todas as meninas que já passaram pelos Morangos com Açúcar (menos a Paula Neves) fizessem cada uma a sua versão do Crime do Padre Amaro. Apenas para efeitos comparativos;
– Madonna adoptasse Floribella e a levasse daqui para fora;
– Brad Pitt e Angelina Jolie fizessem uma ménage à trois com Floribella e ela fosse tão feliz que nunca mais voltasse;
– Angelina Jolie tivesse ciúmes de Floribella e viesse procurar consolo nos braços (e no resto) deste que vos escreve;
– O Observatório de Ornitorrincos fosse escrito por alguém capaz;
– O ano acabasse depressa para fazer outra vez um texto parecido com este.
Por: Nuno Amaral Jerónimo


