P – Como e quando surgiu a Cooperativa?
R – A adega cooperativa da Meda CRL, é um elemento preponderante do tecido económico, da região vitivinícola que integra o município de Meda.
De facto, com a sua capacidade de vinificação de 4.500.000 de litros, absorve a produção, da grande maioria da região, dando assim, condições de viabilidade à mesma. A instituição, foi fundada a 19 de dezembro de 1956, recebendo as primeiras uvas em setembro de 1958. Nesse ano, 128 associados entregaram 606.976 kg, que produziram 463.551 litros de vinho. Durante o ano de 1959 foram obtidos os primeiros resultados com a venda de 115.920 litros de vinho. Ao longo dos anos a adega foi sempre crescendo e evoluindo. Em 1996 a adega teve uma produção de 4.000.000 kg de uvas, cerca de 5090 pipas, das quais 1100 pipas foram de vinho do Porto. Exportou 1.6 milhões de litros de vinho para a China (vinho “morro do castelo” e vinho “angoreta”). Recebeu a medalha de ouro no V Concurso Internacional de Vinhos de Montanha em Itália, o prémio foi atribuído ao vinho tinto “morro do castelo 1994”, produzido com uvas das castas touriga francesa, touriga nacional, tinta barroca e tinta roriz. Em 1997 a adega recebeu a medalha de prata no II concurso para o vinho “ o melhor vinho duriense da produção de 1996” na Casa do Douro e exportou 30 000 litros de vinho para os Estados Unidos. Em 1999, o vinho “angoreta tinto 1995” foi premiado com a medalha de prata e o vinho, “angoreta branco 1998” recebeu uma medalha de bronze no VIII concurso internacional de vinhos de montanha realizado em Itália. Em 2000 a adega teve uma produção média de 3 300 000 de Kg, cerca de um terço foi generoso, os restantes foram vinhos VQPRD (vinhos de qualidade produzidos em região demarcada). Nesse ano, a adega tinha perto de 900 associados. Ainda em 2000, o vinho angoreta tinto 1995” foi distinguido na revista de vinhos como a “melhor compra de 1999”. A adega cooperativa já exportou para França, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Estados Unidos e China.
Atualmente a adega produz vinho regional “medalta” branco, tinto e rosé, vinho VQPRD “angoreta” branco e tinto e vinho do Porto “fraga ruiva” branco, tinto e reserva, com 10 anos.
De referir que a adega passou por alguns percalços, tendo estado sem atividade no ano de 2009, no entanto, com empenho e dedicação, a atual direção, retomou a sua laboração vinificando em 2010. Em 2011 foi feito um esforço grande de recuperação da maquinaria e em 2012 e 2013 as vindimas decorreram com normalidade e um crescente aumento de viticultores aderentes.
P – Ao longo destes anos quais foram os trabalhos desenvolvidos para que o vinho produzido cumprisse as exigências do mercado?
R – O mercado do vinho é cada vez mais exigente e como se trata de um organismo vivo, sofre transformações constantes. A adega tem apostado na qualidade das uvas rececionadas e em manter ao seu serviço, uma equipa de técnicos (enólogos) de reconhecido nome, assim como, no bom desempenho dos seus colaboradores e técnicos residentes. Também tem havido a preocupação de se modernizar, apostando em materiais e vasilhas que cumpram as exigências atuais em termos de higiene e conservação. Possui uma linha de enchimento semiautomática muito recente, que responde cabalmente às exigências de engarrafamento. Tem investido na criação de novos produtos, tais como, os vinhos espumantes e os frisantes, respondendo assim, às necessidades de um público mais jovem. Em linha com tudo isto, está também, a criação de novas marcas e rótulos mais apelativos e atuais.
P – A cooperativa recebe uvas de que zonas e qual o número de produtores que fornecem esta casa?
R – A cooperativa recebe uvas predominantemente, da região demarcada do Douro mas, atualmente e de há dois anos para cá, também recebe uvas da região da beira interior e com isto estamos a falar das freguesias do concelho que não estão integradas na região demarcada do Douro (sendo estas apenas parte da Meda, Longroiva e Poço do Canto). O nº de produtores tem vindo a aumentar desde a sua reabilitação e no presente, são perto de 300 da região do Douro e 150 da Beira Interior.
P – Quais as castas recebidas pela V/ cooperativa, e em termos de quantidade, quantas toneladas são recebidas anualmente?
R – Relativamente às castas das uvas rececionadas, são muito diversificadas e na nossa região, existe uma panóplia de castas muito grandes. A adega recebe, desde as castas mais atuais, até castas centenárias e que voltam a ter uma valorização extraordinária em termos do enriquecimento dos vinhos. Volta a falar-se muito das vinhas velhas e na região, ainda existem muitas vinhas centenárias a produzir bem e com muita qualidade.
Em 2013, a instituição recebeu 1 600 000 Kg da região do Douro e 506 000 Kg da Beira Interior.
P – Quais são os produtos finais que a cooperativa tem para oferecer aos seus clientes?
R – A cooperativa tem vindo a aumentar o portefólio de produtos desde a sua revitalização em 2010. Neste momento, dentro da região do Douro, tem vinhos em garrafa e bag in box, brancos, tintos e rosés assim como 3 vinhos do Porto branco, tinto e reserva 10 anos.
Da Beira Interior, em garrafa e bag in box brancos e tintos.
Em breve, aparecerão no mercado, tintos reserva, espumantes e frisantes.
Além disto, a adega, também vende muito vinho a granel a grandes distribuidores e exportadores, tanto em vinhos de mesa como em Portos.
P – Quais os mercados com maior recetividade para com os vossos produtos, entre estes podemos falar também de internacionalização?
R – Os nossos vinhos, por serem considerados excelentes como vinhos de altitude, são muito bem recebidos pelo mercado, tanto nacional como internacional. São consumidos na nossa região e no litoral do país. Em relação à internacionalização, estamos a exportar para França, China e decorrem negociações para alguns países nórdicos.
P – Quais as perspetivas para o futuro, visto que todos os produtos estão a escoar bem?
R – A adega tem boas perspetivas de evolução, assim continue a fazer um percurso de aposta na qualidade e no estabelecimento de boas relações comerciais com os seus associados (fornecedores/produtores) e os seus clientes. Os vinhos produzidos estão a ter um bom escoamento ainda que os seus preços estejam a oscilar de uma forma um pouco anormal, o que não tem acontecido com os fatores produtivos que só registam aumentos, colocando assim, muitos problemas, aos nossos viticultores.
P – Qual a importância da cooperativa para o concelho e a região?
R – A cooperativa, representa uma mais-valia importantíssima para o concelho e a região, na medida em que, ela é propriedade dos seus associados e não visa o lucro. O seu objetivo tem uma forte componente social, na medida em que, dinamiza o potencial agrícola da região, evita o arranque e o abandono das vinhas, assim como a venda de cadastros para fora do concelho. Promove a instalação de jovens agricultores e ainda que só tenha 4 colaboradores efetivos, sempre são 4 empregos, para além de proporcionar algum trabalho sazonal.
Importa também dizer que, está de portas abertas para todos e tanto recebe as uvas dos pequenos produtores, como as dos grandes. É um agente de moderação de preços no mercado, na medida em que, a sua existência, impede o abuso sobre os mais fracos por parte de certos produtores particulares. Finalmente, importa referir que, esta instituição, sempre levou longe, o nome da Meda e tem sido a grande responsável pelo conhecimento generalizado que se tem da nossa terra. Em qualquer parte que se fale da Meda, o que ocorre à mente das pessoas, é a qualidade do seu vinho, sendo a adega a sua mais importante divulgadora que, “desde 1956 enche copos de alegria”.


