1. A vitória sem surpresa do Syriza na Grécia vai obrigar a Europa (e a Alemanha em especial) a rever a política económica e financeira da União. Os resultados eleitorais dos gregos confirmaram que o radicalismo contra as políticas de empobrecimento ganhou apoio e ganha eleições. O discurso de Alexis Tsipras dominou na Grécia e vai ter cada vez mais apoiantes na Europa, em especial na do sul. O caminho da austeridade não pode continuar a ser trilhado, com destruição de trabalho (emprego) e empobrecimento geral. Como se percebe pelas consequências dos resultados eleitorais na Grécia, é possível procurar outro rumo, é possível promover outros caminhos – os gregos perderam um quarto da sua riqueza, têm mais de 25 por centos da população ativa no desemprego e estão endividados para as próximas gerações, mas vão poder renegociar a divida, incumprir os limites do défice, receber perdão de parte dos compromissos e construir o seu caminho. A Europa acabará por se vergar aos gregos; o «mau aluno» vai ganhar! … enquanto outros sofrem para respeitar compromissos, os gregos acabarão por ser compensados por não cumprirem as metas, os compromissos, as reformas definidas pela Troika. Afinal, o “não”, a “rua”, a “mobilização”… compensam.
2. A mobilização de uma centena de pessoas para irem ver o estabelecimento prisional onde está detido José Sócrates foi hilariante. Compreende-se que um grupo de «amigos» e «camaradas» tenham querido mostrar solidariedade com o ex-primeiro-ministro, mas era improvável que o pudessem visitar, se é que em algum momento acreditaram nessa possibilidade. Na verdade, estes covilhanenses mais não fizeram do que ser mais uma das muitas formas de pressão sobre a justiça que, diariamente, se manifestam em Évora. É lamentável que mais de dois meses depois de detido preventivamente, e muitos meses depois de iniciada a investigação, ainda não haja acusação formada contra Sócrates, mas a forma como muitos dirigentes socialistas e pessoas próximas de Sócrates têm procurado condicionar a justiça é igualmente inadmissível – excetuando António Costa, parece que os socialistas perderam o discernimento; não basta dizer: «à justiça o que é da justiça» e depois querer influenciá-la todos os dias…
3. Estranhamente, o executivo da Câmara da Guarda continua a ter “algumas dificuldades” em revelar publicamente os custos de algumas atividades – mudou muita coisa, mas há coisas que não mudam. Muito para além das regras democráticas e da legitimação de políticas públicas espera-se transparência e publicitação das decisões e das contratações. Não basta dizer que tudo é «muito» transparente e depois não se revelar convenientemente o que se compra, a quem se compra e por quanto se compra – o site da autarquia devia ser o primeiro suporte comunicacional dessa divulgação, o que não acontece (e, aliás, é pouco operante na informação ao cidadão sobre os serviços da autarquia); assim como também não é cumprida a Lei 75/2013, da divulgação e publicitação de todas as decisões (também em jornais ou boletim municipal). É por isso de louvar que a oposição tenha exigido a apresentação das contas da animação de Natal – o que está em causa não é o evento ou sequer a honestidade das contas, mas a falta de informação ou transparência.
Luis Baptista-Martins


