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Incentivar os jovens do interior a permanecer no interior

Do Leitor

É com imenso descontentamento que vejo uma notícia sobre o facto de, este ano, o programa + Superior abranger 13 instituições do ensino superior nas zonas do Alentejo e Centro, onde serão atribuídas 1.020 bolsas de mobilidade, no valor de 1.500 euros anuais. Considerando que cada licenciatura é de três anos, temos um total de 4.590.000 euros, no entanto, há licenciaturas mais longas, o que significa mais dinheiro.

O meu descontentamento prende-se principalmente pelo facto de, sendo eu uma estudante que findou este ano letivo o ensino secundário numa instituição do interior, não poder beneficiar de qualquer bolsa. Ou seja, caso estude no litoral não tenho direito a nenhum financiamento mas caso pretenda estudar no interior também não. É isso mesmo: os jovens estudantes do interior não têm regalias nenhumas, e porquê?

Numa época de grandes dificuldades económicas deveriam fazer as coisas, precisamente, ao contrário. Quero com isto dizer que as tais bolsas deveriam ser atribuídas aos jovens do interior para que permanecessem na sua área de residência. É verdade que, ao longo dos tempos, temos vindo a assistir a um grande processo de litoralização mas não é com estas bolsas de mobilidade que esse processo tenderá a desaparecer, uma vez que após concluírem a sua licenciatura estes jovens regressarão ao litoral (às suas origens) ou até mesmo ao estrangeiro na tentativa de beneficiarem de melhores condições de empregabilidade.

Se as bolsas fossem concedidas aos jovens do interior isso significaria que estes viveriam a sua vida no interior, apreciando as belas paisagens, cultura, gastronomia… E aprendendo a gostar desta zona. Não existindo, por esses mesmos motivos, necessidade de se deslocarem para o litoral dado que sabem que têm apoios para permanecer no interior.

Não podendo concorrer a nenhum destes auxílios, se tiver que escolher entre o litoral ou interior para estudar, escolherei o litoral, uma vez que há universidades mais prestigiadas, fazendo deste modo intensificar o processo de litoralização. Quem vai perder são os jovens do interior e também aqueles do litoral que apenas vieram para cá fazer a sua licenciatura. (…)

Joana Mendes, carta recebida por email

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