Arquivo

Fora da lei

Bilhete Postal

O Algarve é um lugar excecional, com praias raras, com uma qualidade de águas que coloca muitos estrangeiros, não em férias, mas a optar por viver aqui. O Algarve é longe de Portugal, do país dos governos de maioria e do país das eleições. No Algarve raramente se passa uma fatura, invulgar mesmo registar a venda realizada. As lojas do Algarve compram mercadoria e depois arquivam-na pois das lojas ela não sai. Os cafés, os barcos das grutas, as gaivotas e as motas de água, as diversões em geral, os confortos, os guarda-sóis de praia, as cadeiras, os restaurantes, raramente questionam por uma fatura, um NIF, ou preocupam-se com o bem público. Aqui são contra os impostos. Aqui no Algarve, enclave livre e não fiscalizado, cobra-se tudo mais caro que noutros lados e evitam-se os impostos. Ninguém quer pagar para que haja cofres cheios. O Algarve é um paraíso fiscal nos meses de Verão. O que me causou curiosidade é o desprendimento dos clientes portugueses, os que vêm do norte e da capital, onde é vulgar ser fiscalizado, visitado pela ASAE e outros funcionários zelosos do Estado. Aqui no sul, território livre e portanto subsidiado pelo continente, não há policiamento nem fiscalidade. Raros se lembram de levar as faturas das diversões. Dizem-me que algumas forças da ordem e membros dos reguladores são também donos de instalações de diversão noturna, de casas de aluguer, de restaurantes e de concessões de praia, sempre em nome da mãe, ou da mulher, ou de uma tia velhinha, para não haver incompatibilidade… Dizem, mas eu recuso-me a acreditar em tais mentideiros. Aqui, o estacionamento de Portimão – camarário – paga-se inclusive aos domingos. Ladroagem diria eu no norte, aqui parece ser normal! Discotecas, bares, safaris, barcos para ir aos golfinhos, todos sem exceção, admiram-se de um pedido tão invulgar. Ingleses, alemães, espanhóis e tantos outros não pedem esses papéis. Só os do continente é que podem ter dessas veleidades. Mas mesmo esses raramente se atrevem. Isto é o paraíso da fuga fiscal e aparentemente está tudo envolvido e conluiado. O regabofe existe e governa o Algarve! Este é o território dos inimigos de Estado, é o país dos que julgam que as benesses públicas nascem do céu. O território português que se permite isto devia votar a 4 de outubro nos partidos anarquistas, nos grupelhos que odeiam a democracia e o Estado Social. Uma vitória dos partidos do centro por aqui é incompreensível.

Por: Diogo Cabrita

Sobre o autor

Deixe comentário