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Grécia

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Concreto é o facto de que as regras e as cerimónias e as tradições têm um lugar na vida das pessoas. Romper com elas é uma “diletância” ou uma delinquência, sendo coisas diametralmente opostas. O diletante e o delinquente estão em relação à lei em lugares diferentes, sendo o segundo mais próximo do presídio. Isto vem a propósito das primeiras ações marcantes dos novos líderes da Grécia. A minha relação com o poder é sempre algo difícil, insultando os tiranos, combatendo os prepotentes, desmistificando os discursos demagógicos. Há gestos que são bandeiras e eu nunca esqueço que as bandeiras não se comem e não pagam rendas. Ver tomar posse sem gravata, ver prescindir de cerimónias ancestrais é para mim demagogia. Primeiro penso que devemos respeitar o passado, devemos dar importância ao testemunho dos que nos antecederam, devemos estudar os documentos, entender o acervo e elencar as missões. Um títere é tão perigoso como um tirano, sobretudo se o povo carece de liderança e de decisões importantes. Espero da liderança grega um conjunto de propostas e de visões novas, algo consubstanciado na revolta, mas transportando sólidas estruturas para aumentar o PIB, diminuir o desemprego, reduzir a austeridade. O que a Grécia mais teve foram palhaços, ladrões, aldrabões e gente sem escrúpulos, num caldo civilizacional que também conhecemos, onde se foge ao fisco, se não cumprem códigos, regras e princípios. A Grécia, como nós, teve muitos reformados demasiado jovens, muitos benefícios que não podiam ser pagos, muitas defesas de direitos que não correspondiam a deveres. Também essa parte da sociedade está errada e contaminará os desejos sociais do novo poder. Não é nestes momentos de mostrar diferença que se faz a diferença, é dentro de um ano que saberemos quem é a nova governação, o caminho que levou e as soluções que descobriu. Claro que pertenço aos que acreditam na mudança e na possibilidade de alguém fazer de modo melhor.

Por: Diogo Cabrita

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