Como se não bastassem os já conhecidos atrasos e a falta de obra concreta na intervenção, o PolisGuarda sofreu na semana passada mais um duro revés no seu atribulado historial de quatro anos. Por alegada falta de tempo, o último Conselho de Ministros não aprovou o Plano de Pormenor para o Parque Urbano do Rio Diz, a principal área de trabalhos da sociedade de requalificação urbana e valorização ambiental. O que significa mais um atraso na construção das infraestruturas e equipamentos previstos para aquela zona, na sua maioria ainda dependentes da expropriação litigiosa dos terrenos. Um passo que só será possível após a ratificação daquele documento de ordenamento pelo Governo.
O Plano de Pormenor do Parque Urbano do Rio Diz tinha sido enviado em Maio passado para a secretaria de Estado do Ambiente, que, após dar parecer favorável, o remeteu para aprovação em sede de Conselho de Ministros. O documento chegou a estar agendado em duas ocasiões, mas o Executivo acabou sempre por retirá-lo das reuniões à última da hora. O problema é que desta vez dos cinco planos previstos ratificar pelo Governo só o da Guarda não foi despachado e a decisão acabou mais uma vez protelada para outra ocasião. A presidente da Câmara, accionista juntamente com o Estado na sociedade, já manifestou a sua indignação pelo sucedido e exigiu que a Guarda seja tratada «como deve ser». Maria do Carmo Borges garante que «algo vai mal» quando só o Plano de Pormenor do PolisGuarda não foi aprovado: «Os senhores que sustentam o Governo acham que na Guarda quanto pior melhor e, portanto, querem impor-se pela negativa», acusou, recordando que o documento tem todos os pareceres positivos desde Junho. Não compreende por isso que tal ainda não tenha acontecido nove meses depois, mas espera que seja finalmente aprovado no próximo Conselho de Ministros, «não sei se ainda antes das eleições».
«Quem vai fazer frente aos nossos encargos bancários»
Opinião diferente tem Ana Manso, vereadora e líder da distrital do PSD, para quem a autarquia é que é responsável pelos percalços e atrasos do PolisGuarda. «A única obra visível continua a ser o quartel dos bombeiros. Há agora a requalificação da Praça Velha, mas pouco mais», constata, contrapondo as taxas de execução das intervenções em Viseu e na Covilhã, que curiosamente não necessitaram da aprovação dos Planos de Pormenor para iniciarem as obras devido às características dos projectos. De resto, já é sabido que a intervenção na Guarda vai sofrer uma penalização de 30 por cento em obras devido aos cortes orçamentais anunciados pelo Ministério das Cidades. O que vai sobretudo afectar a segunda fase do Parque Urbano do Rio Diz, concretamente projectos como o Museu da Água, considerado o “ex-libris” do Polis guardense, o Jardim da Ciência, a construir com apoios do Ministério da Ciência e Ensino Superior, o Centro de Monitorização Ambiental e o edifício de recepção. Contudo, António Saraiva, director-executivo da sociedade, continua a querer falar em «adiamentos de obra em vez de cancelamentos». Até porque das obras em curso, «nenhuma parou por falta de verbas, tem havido boa vontade dos empreiteiros, que têm trabalhado sem dinheiro», adianta, confirmando que a sociedade se encontra actualmente numa situação financeira precária, pois o capital social e os empréstimos bancários contraídos estão «esgotados há muito tempo». Saraiva refere que todas as candidaturas, num montante global de cerca de 2,5 milhões de euros, foram suspensas até nova ordem e por isso quer saber «quem irá fazer frente aos nossos encargos bancários».
Luis Martins


