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As ligações de Sócrates e Santos Silva

A ligação entre José Sócrates e Carlos Santos Silva, primo do antigo reitor da UBI Santos Silva, é antiga e muito badalada na Covilhã. Sempre ligado à construção, o empresário fundou várias empresas de engenharia, projetos e obras públicas, da Conegil à Proengel.

Em 1995, ambos estiveram sob suspeita numa investigação do Ministério Público à construção do aterro sanitário da Cova da Beira. No entanto, o caso resultou na absolvição, em 2013, de um sócio de Santos Silva — o empresário Horácio Carvalho — e de António Morais, o professor com o qual Sócrates obteve o diploma de licenciado em Engenharia na Universidade Independente. Tudo porque uma empresa do segundo foi escolhida para gerir o concurso daquela empreitada que o consórcio liderado pela HLC do primeiro venceu. Neste grupo de empresas constava a construtora Conegil de que Horácio Carvalho também era sócio. Nessa altura, também a Patrício & Valente, do antigo presidente da Câmara da Guarda Joaquim Valente, foi escolhida para fiscalizar a obra.

Nos anos seguintes, tanto a Conegil, que foi dada como falida em 2003, encerrando na Guarda, para depois ser “recuperada” para faturar milhões em Lisboa, como a Proengel e a Constrope, fundadas por Santo Silva, tiveram a “parte de leão” dos projetos de requalificação e de construção de esquadras policiais e quartéis da GNR por todo o país, entre 1996 e 1999, de acordo com o jornal “Público”. Neste período, era António Morais que dirigia o GEPI – Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do Ministério da Administração Interna. Por cá, a Proengel conseguiu contratos públicos com as Câmaras da Guarda, Celorico da Beira e Almeida. Na sede do distrito, em 2009, a empresa de projetos e arquitetura de Carlos Santos Silva ficou encarregue, por ajuste direto e pelo preço de 17 mil euros, de realizar uma alteração ao Plano de Pormenor de uma nova área da Plataforma Logística.

Em Celorico da Beira, a Proengel foi contratada em 2011 para elaborar a avaliação ambiental estratégica para o plano diretor municipal, um trabalho adjudicado por 19.800 euros. Finalmente, em Almeida, novo ajuste direto, por 39 mil euros, mas desta vez para a elaboração de projetos de especialidades para a remodelação do posto da GNR de Vilar Formoso. Custou 39 mil euros. No distrito, a Proengel fez ainda vários projetos para a Águas do Zêzere e Côa (AdZC). Desde 2009, já com a sede em Telheiras (Lisboa), que a empresa tem Carlos Santos Silva como gerente, tendo celebrado 86 contratos com entidades públicas – autarquias e empresas do grupo Águas de Portugal e Estradas de Portugal – no valor global de mais de 3,7 milhões de euros.

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