O Bispo da Guarda qualificou o aborto de medida de «exclusão social», por «negar a uma criança o direito de nascer». D. Manuel da Rocha Felício falava na Sé Catedral, na tradicional homilia da missa dominical, durante a qual proferiu a primeira de quatro catequeses específicas sobre a questão do aborto.
Na sua intervenção em defesa da vida e recusa do aborto, o prelado afirmou que o mesmo Governo que decidiu referendar a interrupção voluntária da gravidez «lançou, em finais de Outubro, um Plano Nacional de Acção para a Inclusão que tem, entre outros, os objectivos de ultrapassar as discriminações, reforçando a integração das pessoas com deficiência e dos imigrantes». Para D. Manuel, «vivemos numa sociedade onde se preza a luta contra a exclusão social», acrescentando, no entanto, que «não podemos esquecer que a primeira grande exclusão social é negar a uma criança o direito de nascer». «Pretender criar diferenças entre os vários estádios de desenvolvimento da pessoa humana, desde a concepção à sua morte natural, é uma pura arbitrariedade sem qualquer fundamento, mesmo de ordem científica», argumentou o Bispo da Guarda. «Às 10 semanas ou às oito semanas, às sete ou às 15 semanas, antes como depois do nascimento, o ser humano é absolutamente o mesmo, portanto, enquanto ser humano, sempre sujeito de direitos que a lei civil e o Estado, enquanto pessoa de bem, tem obrigação de tutelar», defendeu D. Manuel. E salientou ainda que «não há diferença qualificativa entre a vida que se desenvolve no seio da mãe e a vida que continua o seu desenvolvimento fora dele». As próximas catequeses específicas sobre a temática do aborto serão proferidas na Sé Catedral da Guarda no domingo e dia 14.


