Assisti a um debate áspero, duro, contundente em determinados momentos. Espanha pelos quatro líderes das forças que são necessárias à governação. Acusações na segunda pessoa, insinuações graves de corrupção e muitas histórias que estão no ar e carecem de culpados. A Espanha vota em breve e pode deixar Portugal numa situação mais complexa ainda. A bipolarização pode acentuar as clivagens e o desejo de poder é evidente em qualquer dos protagonistas. Percebo do meu sexto sentido que há um pequeno tiranete no Unidos Podemos, há um vaidoso absurdo no PSOE e um tipo com dificuldade em aceitar a saída no PP. Todos os políticos carregando demagogia em pacotes, oferecendo o que só o dinheiro pode dar e o dinheiro não abunda por aqueles lados, como por aqui. O mais impressionante é a juventude de três dos protagonistas e a serenidade e a postura do quarto, mais velho. Espanha tem de resolver o problema da corrupção sem processos inquisitoriais, sem ajustes de contas na praça pública e na pior imprensa, tem de acabar com os projetos faraónicos de muitos pequenos poderes e autonomias. Espanha tem uma entidade territorial em risco, uma nacionalidade em fratura federativa. Tudo isto são temas complexos que já desencadearam guerras no passado e podem extremar o país vizinho. O debate deixou-me preocupado e mais atento. Para mim ganhou a direita porque demonstrou que também se vai coligar se vencer e ganhou porque o ataque serrado e deseducado tem benefícios para a vítima. O discurso do Podemos não me convence e vejo nele um político, como os outros, mas com trança. A necessidade das provocações foi diminuindo e a perceção de que pode ser primeiro-ministro começa a fazer transformações. O jovem catalão do Ciudadanos é um terrorista da língua, um municiador de parangonas dos jornais e isso só muda quando tiver funções de Estado.
Por: Diogo Cabrita



