Arquivo

ASE aconselha uso de engenharia natural na EN 338

Troço entre Manteigas e Nave de Santo António está a ser alvo de obras de beneficiação

A Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela (ASE) contesta a instalação de barreiras dinâmicas «constituídas por redes de arame e cabo de aço, apoiadas em tubos metálicos de grandes dimensões», nas obras de beneficiação da Estrada Nacional (EN) 338, entre Manteigas e a Nave de Santo António.

A empreitada, da responsabilidade da Estradas de Portugal (EP), consiste na colocação de barreiras dinâmicas para proteger a via das enxurradas, a repavimentação da estrada, a melhoria do sistema de drenagem e a beneficiação da sinalização. Serão também criados locais que permitam o cruzamento de viaturas pesadas. Nesta requalificação, a EP vai investir cerca de um milhão de euros. Contudo, a ASE lamenta que, «passados quase cinco anos desde o incêndio de 2005, o essencial continue por fazer e que se empenhem tão intensos esforços (e meios materiais) a minimizar os efeitos da situação criada, em vez de se atacar a origem do problema». De resto, em nota enviada às redacções, a associação assume «não compreender que se deixe a EP isoladamente a tratar um problema cuja abrangência claramente ultrapassa esta entidade».

«Lamentamos também que a EP, na sua esfera de acção específica, continue apenas a considerar exclusivamente a engenharia “convencional”, pura e dura, quando são cada vez mais difundidos, preferidos (havendo condições para tal, bem entendido) e bem sucedidos os métodos da engenharia natural, quer pela sua abordagem mais ecológica, quer pela forte relação custo-benefício e sustentabilidade a curto, médio e longo prazo», defende a associação. Nesse sentido, a ASE requer «uma intervenção mais profunda, que rapidamente torne desnecessárias as estruturas agora instaladas, para que, a par com a solidez das encostas, se recupere também a paisagem e os ecossistemas naturais do vale, e não apenas a (relativa) segurança da circulação na estrada». A associação recorda que, «logo a seguir ao grande incêndio de 2005, chamou a atenção das entidades responsáveis para a situação de instabilidade da encosta que resultou da destruição da floresta e consequente desprotecção do solo, para o perigo de derrocadas que viessem a interromper a circulação na estrada e, sobretudo, para a necessidade de uma intervenção pronta que pudesse contribuir para consolidar os terrenos em desequilíbrio, usando as técnicas da engenharia natural».

Sobre o autor

Deixe comentário