Concelhia social-democrata considera «descabida» a referência a empresários, vendedores ou às suas atividades empresariais a propósito da aquisição de imóveis no Centro Histórico pela Câmara da Guarda
A Comissão Política Concelhia do Partido Social Democrata da Guarda faz questão de se «desmarcar do teor e do tom de algumas das afirmações» de Francisco Robalo, vereador social-democrata, em substituição, proferidas no final da reunião do executivo da Câmara da Guarda, a 11 de setembro, a propósito da aquisição, pela autarquia, de três imóveis no Centro Histórico da cidade.
A concelhia do PSD veio sublinhar que apoia a reabilitação do Centro Histórico, deixando claro que «é legítimo questionar decisões municipais e solicitar esclarecimentos sobre a finalidade dos imóveis, os valores envolvidos, os custos de recuperação, o financiamento disponível e a calendarização das intervenções», mas, considera «descabida» a referência a «empresários, vendedores ou às suas atividades empresariais quando não constitui fundamento objetivo para a decisão em análise».
Em comunicado, o PSD considera que «a existência de interesses empresariais em diferentes áreas não permite, por si só, estabelecer suspeitas, conflitos de interesses ou qualquer condicionamento da comunicação social» e que o debate «deve centrar-se no interesse público, na transparência dos procedimentos e na definição de usos concretos para o património municipal, evitando referências pessoais ou empresariais suscetíveis de gerar interpretações indevidas e de desviar a discussão do essencial», reitera a concelhia do PSD.
Recorde-se que o executivo aprovou a compra de três imóveis no Centro Histórico por 1,5 milhões de euros, com o voto favorável dos eleitos pelo PG e PS e os votos contra dos dois vereadores do PSD/CDS/IL.
O vereador em substituição, Francisco Robalo, em declarações aos jornalistas, no final da sessão, falou na possibilidade de existir «conflito de interesses que fere a liberdade de imprensa na Guarda» porque, segundo o vereador, um dos imóveis localizado no Paço do Biu «é propriedade de uma empresa que detém dois órgãos de comunicação social na cidade».
Entretanto, Francisco Robalo, em declarações a O INTERIOR, disse entender que «na política podemos e devemos demarcar-nos das pessoas e das posições que bem entendermos, dentro da liberdade de expressão, independentemente de ser no interior de um partido ou fora dele».
O vereador, em substituição, refere ainda que a concelhia do PSD «existe apenas para isto, não tem um propósito para a Guarda, não tem propostas, não tem relevo político, nem a confiança dos cidadãos» guardenses.
Francisco Robalo sublinha mesmo que a concelhia do PSD «não tem a capacidade de criar e, a única coisa que consegue e pode fazer é tentar condicionar aqueles que no futuro podem ser caras mais relevantes dentro do partido no contexto da Guarda e no contexto nacional», salientando ainda que a estrutura social-democrata local «procura, apenas, fazer oposição àquelas pessoas que apresentam trabalho e podem, de uma ou de outra maneira, sobressair na sociedade civil e na política. Uma posição política que pretende, única e exclusivamente, atacar-me e atacar a Juventude Social Democrata», rematou.



