Crónica Política de Honorato Robalo: O aumento do custo de vida é uma consequência das opções belicistas

Escrito por Honorato Robalo

A exaltação do militarismo e da guerra, apesar das contradições, desavenças e dificuldades evidenciadas ou silenciadas ao longo da cimeira da NATO, são o contraponto das opções ideológicas claras da UE no desinvestimento dos serviços públicos no diversos países para apostarem na estratégia belicista orquestrada e impulsionada pelo imperialismo norte-americano, aceitando a sua condição de politicamente subordinadas e economicamente dependentes, ansiando por receber a sua parte do quinhão no negócio dos armamentos e da pilhagem na guerra.
No entanto, e ao mesmo tempo, a situação coexiste com a ilusória ambição de estabelecer uma parceria entre iguais com os EUA e de acabar com a relação de vassalagem perante a percecionada oportunidade aberta pelo declínio relativo da potência imperialista hegemónica.
Vergonhoso os ditos “aliados” a sustentar a economia norte-americana, que são extorquidos através de uma panóplia de pressões, chantagens, ameaças e imposições: desde a compra de gás e petróleo a preços muito mais elevados à imposição de direitos aduaneiros a exportações da UE para os EUA, quando os EUA ficam isentos de tais direitos relativamente às suas exportações para a UE; à compra de armamento pelos seus aliados para continuar a instigar e a prolongar a guerra na Ucrânia, financiando, assim, o complexo-militar norte-americano em dezenas de milhares de milhões – entre outros exemplos e o “bailado” de circunstância entre Trump e Putin.
Não haja ilusões sobre a estratégia de domínio hegemónico, o imperialismo norte-americano não olha a meios para atingir os seus fins, mesmo que seja à custa dos seus diligentes “aliados”. Tentando salvaguardar-se tendo em conta a sua localização geográfica e proclamando o continente americano como sua “coutada” exclusiva, os EUA procuram distribuir papéis, e consequentes tarefas belicistas, entre os seus “aliados” – nomeadamente no âmbito do G7 –, para, quando oportuno e necessário, lhes “delegar” guerras por procuração. Aliás, como fizeram e continuam a fazer na Ucrânia com o poder xenófobo, belicista e enalçador dos colaboradores nazis.
Escutando os responsáveis da administração norte-americana parece claro que os EUA não se importariam que a denominada Europa Ocidental se transformasse numa grande e nova “Ucrânia” na sua política de confrontação contra a Rússia – ou seja, que os “europeus” arquem com os custos e as consequências da guerra na Europa.
Por conseguinte, é inacreditável que os arautos dos EUA, da NATO e da UE, nomeadamente em Portugal, reproduzam de forma leviana a apologia do aumento das despesas militares, da escalada armamentista, do prolongamento da guerra e da preparação para um ainda maior envolvimento em ditas “operações de alta intensidade e mobilizações prolongadas”, ou seja, na guerra – como se tal fosse inevitável e sempre ocultando as suas consequências, desde logo para os povos.
Na verdade, os EUA, a NATO e a UE são os grandes responsáveis pelo agravamento da situação na Europa e no mundo. Tenhamos presente as inúmeras agressões e guerras que promoveram e apoiaram; o incessante alargamento da NATO e da sua estrutura militar para o Leste da Europa, assim como a inserção de cada vez mais países na sua política belicista; a sistemática denúncia por parte dos EUA de todos os acordos de controlo, limitação e redução de armamentos; a paultina militarização da UE enquanto pilar europeu da NATO; a desatinada imposição de sanções e bloqueios; o constante torpedear da soberania e dos direitos dos povos, dos princípios da Carta das Nações Unidas e da Ata Final da Conferência de Helsínquia; a hipócrita instrumentalização do direito internacional e da ONU como cobertura para as suas ações de ingerência e a agressão – entre tantos outros exemplos das suas políticas.
Acenando até à exaustão com falsas “ameaças” e instrumentalizando cinicamente os consequentes efeitos da sua ação belicista como pretexto para a agravar ainda mais, a NATO anuncia mais dezenas de biliões para os armamentos e a guerra, quando os 32 países que a integram já gastam mais em despesas militares que o conjunto de todos os outros 161 países (alguns dos quais, igualmente aliados dos EUA) que integram a ONU.
A política belicista dos EUA, da NATO e da UE constitui a maior ameaça à paz e aos povos do mundo.
Não podemos deixar de lutar contra o custo de vida, com repercussões nos custos da energia e por consequência nos bens essenciais, mais grave as opções do governo PSD/CDS com apoio da IL e CH e a anuência do PS em tabelar os preços de bens essenciais.
A NATO exige e o Governo PSD/CDS, com o apoio dos partidos da guerra, obedece: Portugal vai desviar 3,1% do PIB (cerca de 9,5 mil milhões de euros) para os armamentos e para a guerra.
São 9.500.000.000 € que deixam de ser investidos naquilo de que o país realmente precisa.
No reforço urgente do SNS, além da valorização dos profissionais de saúde a urgente necessidade de mais contratação de enfermeiros e outros profissionais para uma aposta clara no reforço da componente preventiva acautelando os custos diretos e indiretos a longo prazo na área da saúde. Também não podemos esquecer as infraestruturas e equipamentos, seria importante alargar prazos para acesso às verbas do PRR face ao desinvestimento público nacional, priorizando o investimento em material bélico não produzido em Portugal, ou seja, aumentar o défice estrutural.
É preciso investir em mais habitação pública, acessível às famílias e aos jovens, numa rede pública de creches gratuita para todas as crianças, no investimento na escola pública para fixar mais jovens no distrito da Guarda. Mas também no reforço da rede de transportes públicos e na necessidade da celeridade da requalificação da linha da Beira Baixa para a sua reabertura, na requalificação das vias estruturantes do distrito da Guarda, nomeadamente na ligação de Manteigas a Gouveia.
Mais áreas fundamentais carecem de investimento para a melhoria da qualidade de vida na nossa terra.

* Membro do executivo da Direção da Organização Regional da Guarda (DORG) do PCP

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Honorato Robalo

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