Opinião de Albino Bárbara (Edição 1378): Rentreé

Escrito por Albino Bárbara

A reentrada dos conhecidos modelos na passerelle das virtudes do teatro do boulevard algarvio tem sempre data agendada. É em meados do mês de agosto.
Esta época de férias serve para recarregar baterias tendo “timings”, esquemas pré-definidos e particularidades calculadas onde entram razões que a própria desconhece.
O PSD Group (agência de recrutamento internacional de emprego) tem sede em Londres e recruta candidatos em áreas específicas como serviços financeiros, hospitais, tecnologia, recursos humanos, etc. etc. etc. O candidato deve possuir curriculum na área, perfil para o lugar, é submetido a entrevista e, após um mês, é-lhe comunicada a decisão, naquilo que em Inglaterra é vulgarmente conhecido por “Job Opportunities”.
Pois bem… Em plena época de verão, na altura em que o bom do cidadão se encontra no gozo de férias, também por cá houve recrutamento e pensei eu, para os meus botões, que os nossos decisores talvez tivessem necessidade de recrutar na tal oportunidade britânica uma série de gestores. Mas eis, para nosso espanto, que a “opportunity” inglesa deu lugar ao oportunismo tuga e o curriculum, perfil e competência, mais uma vez, foram trocados pela vulgaridade do reconhecimento, a que se soma o cartão partidário, naquilo que é designado pela expressão britânica “Job for the boys” (isto, sem esquecer as “girls”).
Ao longo do verão registámos que os salários acima dos 3.000 euros foram perfeitamente reconhecidos. Os estudos encomendados e feitos têm em vista a entrega de tudo e mais um par de botas à iniciativa privada.
Logo a seguir fomos testemunhas, durante esta última semana, de mais um encontro liceal/universitário, com “aulas” e tudo, mas que não passa de mais um comício alaranjado, onde uma série de eminências pardas vão debitar umas postas de pescada deixando conselhos e recados para gáudio de uns jovenzitos, que os aplaudem e onde a grande maioria anseia por um futuro “job” no parlamento, em assessoria ou em serviços descentralizados do Estado.
Desculpa lá Vitorino, mas, “se bem me lembro”, foi assim no passado, mantêm-se no presente e, pelo andar da carruagem do centrão, vai continuar no futuro.
Neste descrédito institucional, deixemos de parte o totalitarismo de Orwell, agarremos definitivamente a distopia, não a do Bugalho, mas sim a do Huxley, pois nesta festa da banalidade partidária a diferença está ausente, o que obriga o Zé a reutilizar a máxima do vira o disco e toca a mesma.
A outra questão do verão tem a ver com aquela máxima do quero, posso e mando.
Enquanto o Ruben está a ver o sol aos quadradinhos (e bem), o xuxismo militante, com visível marca do abominável homem das neves, permite utilizar, a seu bel-prazer, carros, mobiliário e se calhar a pia de despejos, a sanita e, às tantas, até o papel higiénico.
É por estas e por outras que por cá, nestas terras beirãs, fazemos questão, todos os anos, de julgar o galo pelos males que vêm ao mundo e a pergunta fica no ar: O que teremos de fazer ao seu compadre (galo) de Barcelos?
No meio de tamanho fungagá da bicharada salta à vista um processo de autêntica teimosia política que os Xutos descrevem como marés doces, utopia, sonhos e maré vazia, em que o caranguejo persistente pode ficar com a fuça no lodo.
Percebo agora porque é que a Sérvia se separou do Montenegro.

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Albino Bárbara

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