A ligação entre a ciência e a tecnologia tem permitido grandes avanços nas últimas décadas. Muitas das tecnologias que hoje fazem parte do nosso quotidiano nasceram da investigação científica e da procura de respostas para fenómenos ainda pouco conhecidos. Na área da saúde, esta colaboração tem contribuído para melhorar o diagnóstico, o tratamento e a qualidade de vida das pessoas. Um dos melhores exemplos desta relação encontra-se na imagiologia médica, que utiliza diferentes tecnologias para observar o interior do corpo humano. Entre as técnicas mais conhecidas estão a ressonância magnética (RM) e a tomografia axial computorizada (TAC). Apesar de ambas produzirem imagens do organismo, funcionam de forma diferente. Também não devem ser confundidas com a medicina nuclear, que utiliza pequenas quantidades de substâncias radioativas para diagnosticar ou tratar doenças.
A RM explora as propriedades magnéticas dos núcleos de hidrogénio, muito abundantes no corpo por fazerem parte da água e da gordura. Quando o utente entra no equipamento, fica exposto a um campo magnético intenso, que temporariamente influencia a orientação desses núcleos. Em seguida, são emitidas ondas de rádio que alteram essa orientação. Quando o impulso termina, os núcleos regressam gradualmente ao estado inicial e produzem sinais que são captados pelo equipamento. Um computador analisa esses sinais e transformando-os em imagens. Como os diferentes tecidos possuem quantidades distintas de água e gordura e respondem de forma diferente ao campo magnético, é possível criar contraste entre estruturas saudáveis e alterações causadas por doenças. A RM não utiliza radiação ionizante e é geralmente considerada segura. No entanto, não está completamente isenta de riscos. O campo magnético pode interferir com objetos metálicos, implantes e alguns dispositivos médicos.
A TAC utiliza raios X, uma forma de radiação ionizante. Durante o exame, uma fonte de raios X e vários detetores rodam em torno do paciente, recolhendo imagens a partir de diferentes ângulos. Um computador combina essa informação e cria imagens do corpo em cortes, como se este fosse dividido em várias camadas finas. Essas imagens também podem ser observadas em diferentes planos ou reconstruídas em três dimensões. Os raios X atravessam os tecidos de maneira diferente, dependendo da sua composição, densidade e espessura. Na TAC, os ossos aparecem, geralmente, claros ou brancos porque absorvem grande parte dos raios X. O ar, como o que existe nos pulmões, aparece preto porque deixa passar quase toda a radiação. Os restantes tecidos são apresentados em diferentes tons de cinzento. Em alguns exames utiliza-se um produto de contraste à base de iodo para tornar vasos sanguíneos, órgãos e certas lesões mais visíveis.
A RM e a TAC mostram como os conhecimentos da Física podem ser aplicados à Medicina. O estudo dos campos magnéticos, das ondas de rádio, dos raios X, da eletrónica e da informática permitiu criar ferramentas essenciais para observar o interior do corpo, diagnosticar doenças e orientar tratamentos. Estas técnicas demonstram como a colaboração entre diferentes áreas científicas pode contribuir diretamente para melhores cuidados de saúde.


