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Eventos em Lisboa e no Porto de outubro a fevereiro: o que vale a viagem a partir das Beiras

Quem vive na Guarda, na Covilhã ou em qualquer ponto da Serra da Estrela sabe que Lisboa e o Porto ficam a uma manhã de viagem, e que a maior parte das idas às duas cidades tem uma razão só: um evento. Este guia escolhe o que vale a viagem entre outubro e fevereiro, e começa pela parte que se resolve antes de sair de casa.

Lisboa fica a 319 quilómetros pela A23 e pela A1, cerca de três horas de carro, ou pouco mais de quatro no Intercidades. Quem vai a um evento costuma esticar até domingo, e é na segunda noite, sem programa marcado, que a viagem se ganha ou se perde: quem viaja sozinho e prefere companhia trata disso com a mesma antecedência com que comprou o bilhete, procurando acompanhantes de luxo em Lisboa com perfil confirmado em vez de o fazer à pressa, de telemóvel na mão, à porta do hotel.

O Porto fica a 200 quilómetros pela A25, menos de duas horas, e é a cidade das idas de um dia só. Mesmo assim, o regresso à Guarda depois de um concerto que acaba à meia-noite não é agradável, e muita gente dorme lá. Quem o faz sozinho e não quer que a noite termine à porta da sala procura com antecedência acompanhantes de luxo no Porto com identidade confirmada, para não ter de decidir nada a essa hora numa cidade que, nas noites de concerto, está cheia.

Bilhetes e preços: quando se compra e quanto se paga

Nas duas cidades os bilhetes para os nomes grandes esgotam na semana em que saem, sobretudo os do MEO Arena, da Super Bock Arena e dos dois Coliseus. Compram-se na Ticketline, na Blueticket ou na BOL, e vale a pena seguir a sala nas redes, porque a data de abertura das vendas costuma ser anunciada com pouca antecedência. Os preços vão dos vinte aos setenta euros nos Coliseus e passam dos oitenta nas arenas; os festivais de cinema ficam entre os cinco e os oito euros por sessão, com passes para quem vê vários filmes; as maratonas e as passagens de ano são grátis para quem assiste.

A conta certa faz-se pela ordem certa: primeiro o bilhete, depois o quarto, depois o jantar e, para quem viaja só, a escolha com calma de um diretório de acompanhantes de luxo em Portugal onde cada perfil é verificado antes de ser publicado. O que se decide em casa raramente corre mal; o que se decide às onze da noite numa cidade cheia corre mal quase sempre. E o que custa mais do que o bilhete é a dormida: um quarto duplo em Lisboa num fim de semana normal de outono anda pelos cem a cento e cinquenta euros, e na semana da Web Summit ou na passagem de ano é fácil chegar aos trezentos. No Porto os valores são um pouco mais baixos, exceto no Natal e no fim do ano. Posto isto, a agenda.

Lisboa: o calendário que justifica os 319 quilómetros

Outubro abre com a Maratona de Lisboa, a 10, e com a meia maratona e os 8 quilómetros no dia seguinte. Quem corre já sabe; quem não corre precisa de saber que nessa manhã a Marginal e a zona ribeirinha ficam fechadas ao trânsito. De 15 a 25 é o Doclisboa, o festival de documentário que ocupa a Culturgest e mais meia dúzia de salas com mais de duzentos filmes, bilhetes a cinco euros e sessões que começam à hora marcada, coisa rara na cidade.

Novembro é o mês a evitar ou a planear com muito tempo, conforme o evento seja ou não o nosso. De 9 a 12 a Web Summit traz setenta mil pessoas ao MEO Arena e à FIL, e os quartos em toda a cidade sobem para o dobro; se não for para isso que se vai, a semana é para riscar. Antes disso, a 1 de novembro, o Misty Fest põe José González no Coliseu dos Recreios, e o festival espalha concertos por outras salas ao longo de novembro.

Em dezembro a cidade muda de ritmo. A Wonderland ocupa o Parque Eduardo VII do fim de novembro até aos primeiros dias de janeiro, com entrada livre e roda-gigante e pista de gelo pagas. A passagem de ano faz-se no Terreiro do Paço, com música desde as nove e meia e fogo de artifício sobre o Tejo à meia-noite, de graça, mas com uma regra: chegar cedo e ter o jantar reservado, porque nessa noite ninguém consegue mesa depois das oito.

Porto: uma agenda que não copia a de Lisboa

Em outubro há o Festival Internacional de Marionetas, no Rivoli e no Campo Alegre, muito melhor do que o nome deixa supor. A 8 de novembro a Maratona do Porto parte do Sea Life e chega ao Parque da Cidade, com a marginal fechada durante a manhã. De 19 a 28 de novembro o Porto/Post/Doc leva ao Batalha o cinema do real, e de 26 de fevereiro a 7 de março de 2027 o Fantasporto regressa ao mesmo Batalha para a quadragésima sétima edição, que é a melhor desculpa do inverno para dormir uma noite na cidade.

Os grandes concertos passam pela Super Bock Arena, no Pavilhão Rosa Mota, pelo Coliseu e pela Casa da Música, e o Natal transforma os Aliados no ponto de encontro da cidade, com o mercado, a iluminação e, na última noite do ano, concertos desde as dez e fogo de artifício à meia-noite. É a passagem de ano mais fácil de fazer a partir das Beiras: chega-se ao fim da tarde, janta-se na Baixa e volta-se no dia seguinte sem pressa.

A logística a partir das Beiras

De carro, a viagem para Lisboa faz-se pela A23 até Torres Novas e pela A1 até à cidade; a do Porto pela A25 até Aveiro e pela A1 para norte. A A23 e a A25 já não têm portagens, paga-se só o troço da A1: uns oito euros até Lisboa, menos de metade disso até ao Porto. O comboio para Lisboa voltou com a reabertura da Linha da Beira Alta: três Intercidades por dia entre a Guarda e Santa Apolónia, pouco mais de quatro horas, o que compensa para quem quer chegar descansado e não precisa do carro na cidade. Para o Porto, o carro ganha sempre.

Em Lisboa deixa-se o carro no hotel ou num parque e anda-se de metro: o Parque das Nações, onde ficam o MEO Arena e a FIL, tem estação própria, e o Coliseu e o Campo Pequeno também. No Porto o metro chega à Casa da Música e ao Coliseu, e à Super Bock Arena vai-se a pé desde a Boavista, em quinze minutos. Nos dias de maratona convém confirmar os cortes de trânsito na véspera, porque os percursos mudam de ano para ano e o GPS não os conhece.

Uma nota para quem vai em família ou em grupo: as duas cidades têm parques de estacionamento junto às salas grandes, mas enchem duas horas antes do concerto e esvaziam-se ao mesmo tempo, o que significa meia hora de fila à saída. Quem fica a dormir perto da sala não passa por isso, e é mais uma razão para escolher o hotel pela noite e não pela manhã.

Cinco regras para uma viagem a um evento

Comprar o bilhete no dia em que sai. É a decisão que manda em todas as outras, e a única que não tem remendo.

Dormir a pé do sítio onde a noite acaba, não do sítio onde começa. Um concerto no Parque das Nações e um hotel na Baixa são quarenta minutos de metro à uma da manhã.

Reservar o jantar para uma hora antes de as portas abrirem, nunca para depois do concerto. Às onze e meia da noite, nas duas cidades, as cozinhas boas já fecharam.

Deixar o dia seguinte sem plano fixo. A melhor parte de uma ida a Lisboa ou ao Porto é quase sempre a manhã seguinte, sem horas para cumprir.

Tratar de tudo antes de partir, incluindo a companhia. As noites que correm bem são as que já vinham decididas da Guarda.

Entre outubro e fevereiro, Lisboa e o Porto têm um evento por semana que justifica a viagem a partir das Beiras. A diferença entre voltar com a sensação de que valeu a pena e a de que se gastou dinheiro a correr é só uma: saber a data, comprar a tempo e decidir o resto antes de sair de casa.

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

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