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«Os clientes são a minha melhor publicidade, resultado da satisfação dos trabalhos que realizo»

Entrevista efetuada ao empresário em nome individual Carlos Alberto Soares Leite Almeida, estofador com sede em Trancoso

P – Quando e de que forma iniciou a sua atividade?

R – A minha atividade teve início aos 14 anos de idade, com a entrada para a empresa Molaflex – Industria de estofos automóveis. Esta fábrica executava obras para diversas linhas de montagem de várias outras empresas, mantendo-me aí durante 10 anos na secção de protótipos.

Com 24 anos e devido ao meu casamento, mudo-me para Manteigas, onde inicio a atividade por conta própria, passados 4 anos, mais uma mudança e, desta vez, para Trancoso, onde permaneço atualmente.

P – Na atividade que desenvolve, qual o serviço mais procurado pelos seus clientes?

R – Sinto-me à vontade em todo o tipo de serviço desde que ligado à minha área e, passados tantos anos de atividade, continuo com especial gosto e satisfação nos trabalhos que executo nos automóveis clássicos, sendo estes os mais solicitados, seguidos de trabalhos específicos como tetos e interiores de portas, que acontece até nos automóveis atuais. O estofamento a pele também é bastante solicitado.

P – A sua atividade conta com quantos postos de trabalho?

R – Esta minha atividade conta apenas com dois colaboradores, sendo nos tempos atuais um esforço que merece algum reconhecimento.

P – Quem são os seus clientes?

R – Os meus clientes são na sua grande maioria provenientes dos concelhos vizinhos, sendo eles clientes finais e oficinas de pintura e reparação automóvel.

Os clientes são a minha melhor publicidade, resultado da satisfação dos trabalhos que realizo.

Existe também uma parte significativa de clientes emigrantes, que sendo proprietários de clássicos restaurados, também procuram os meus serviços.

P – Como é que estes clientes chegaram até si?

R – Muito simples, estes clientes são o resultado das participações por mim efetuadas nas exposições dos pavilhões de atividades económicas que têm decorrido nas Feiras de São Bartolomeu, onde exponho algum do meu trabalho e, ao mesmo tempo, aproveito para dinamizar os contatos com emigrantes, que não sendo clientes promovem os meus serviços através do “boca a boca”, junto das pessoas suas conhecidas.

P – Ao longo de todos estes anos a sua atividade sofreu com certeza algum tipo de evolução?

R – Sim, de facto houve uma grande evolução no que se refere ás novas tecnologias existentes na industria automóvel e, eu, encontro-me preparado para corresponder a todos estes desafios e também capacitado para manipular todos estes trabalhos que exigem os conhecimentos que envolvem a mais avançada exigência técnica.

Atualmente executar um teto de um carro moderno, exige-nos ter um conhecimento que nos permita realizar tal trabalho sem danificar toda a eletrónica aí existente.

Por outro lado, estou preparado também, para aplicar um teto num clássico que o não possua. Este trabalho tem que ser efetuado a partir das medições feitas a partir de uma simples fita métrica e, para que esse serviço seja possível, é necessário ter um conhecimento específico.

P – Quais os desafios para o futuro?

R – É de lamentar que esta arte não seja levada a sério por futuros seguidores, pensando eu que ficará em causa o desenvolvimento com qualidade deste ramo de atividade.

Embora reconheça que o futuro dos estofos passe pelas novas tecnologias e, que, as mesmas, irão complicar um pouco o trabalho artístico a que hoje estamos sujeitos. São hoje utilizadas técnicas vanguardistas, que não estão ao alcance de um qualquer estofador, contudo, encaro o futuro com otimismo, devido ao facto de todo o trabalho que executo não ter registado qualquer tipo de quebra .

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