1. A Câmara da Covilhã vai vender 49% da empresa municipal Águas da Covilhã (AdC). Sou favorável a este tipo de empresas de capitais mistos e não contesto a opção por uma empresa municipal em detrimento da entrada na Águas do Zêzere e do Côa. Porém, este tipo de parcerias público-privadas só faz sentido quando os consumidores ganham alguma coisa, quer na redução de preços, quer na melhoria do serviço. No caso da Covilhã, a primeira é pouco provável e a segunda … veremos.
O maior problema é que esta venda representa mais uma alienação de património a juntar a outras realizadas pelo actual elenco camarário. Lembram-se da venda das rendas da habitação social, em que a actual Câmara arrecadou receitas futuras e ainda não explicou quem vai pagar futuramente as despesas de manutenção desses fogos?
Aquilo que realmente me preocupa é esta política do “quem vier a seguir que se amanhe”, pois não augura nada de bom para o município.
2. Conhecidos os resultados da segunda fase dos exames nacionais do 12º, começaram as reacções à subida registada na média das disciplinas de Física e Química. A ministra, naturalmente, ficou satisfeita com a subida, pois veio legitimar a decisão de permitir a repetição das provas. Os alunos que conseguiram melhorar as notas ficaram felizes, pois conseguiram reunir condições de candidatura ao Ensino Superior. As próprias Instituições de Ensino têm boas razões para estarem satisfeitas já que estes resultados criaram quatro mil novos candidatos. A única manifestação de satisfação que não percebi foi a que chegou pela boca do presidente da Sociedade Portuguesa de Química: “resolveu-se o problema da Medicina, porque com as médias da primeira fase não sei se haveria alunos suficientes para preencher as vagas”, disse o senhor. Ora, sabendo-se que as 1284 vagas para Medicina são disputadas à milésima e que as médias são sempre superiores a 18, onde é que o senhor foi buscar tal ideia?
3. Talvez seja impressão minha, mas parece-me que a coisa se repete todos os anos: assim que as televisões anunciam um ano com menos incêndios, as florestas desatam a arder. Aconteceu novamente esta semana: sexta-feira surgiram as notícias e logo no sábado aumentou o número de incêndios de grandes dimensões. Pode ser apenas uma coincidência, é certo, mas não custa nada evitar a divulgação desta contabilidade pirómana a meio do Verão. Talvez se poupem mais uns hectares de floresta, quem sabe.
Por: João Canavilhas


