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E o Óscar de Nolan?

Opinião – Ovo de Colombo

A cada nova edição dos Óscares repete-se a discussão: porque foi nomeado este ator e não outro? Porque é que o cineasta “X” não tem nenhuma estatueta dourada? Um dos casos mais falados é, incontornavelmente, Leonardo DiCaprio. O ator norte-americano é um dos favoritos do público e, a cada “derrota” ou ausência da lista da Academia, a discussão sobe de tom. No entanto, o “injustiçado” deste ano promete ser outro: Christopher Nolan tem sido um dos nomes mais falados quando se comentam as nomeações conhecidas há uma semana.

O cineasta conta já com três nomeações (duas de argumento e uma de melhor filme), mas, curiosamente, nenhuma na categoria de realização, a área onde mais tem dado que falar. Depois da trilogia de Batman, Christopher Nolan regressou com um muito aguardado “Interstellar” (2014), o filme mais ousado que concebeu até hoje. É certo que leva cinco nomeações para a cerimónia maior do cinema, mas em categorias sem a assinatura de Nolan ou do seu irmão Jonathan, com o qual tem brilhado a nível de argumento.

“Interstellar” (2014) trouxe um outro lado dos “manos” Nolan. Com um tema científico complexo na base da história protagonizada por Matthew McConaughey (melhor ator na última edição dos Óscares), estes desenvolvem um argumento quase sem falhas – ainda que, olhando para os nomeados em melhor argumento original, fosse difícil inclui-los. Não podemos esquecer que, há um ano, “Gravity” (2013), um filme que também nos passeia pelo espaço, ganhou quase tudo o que havia para ganhar.

Mas, afinal, quanto vale um Óscar? Alguns, certamente, acreditam que nada; outros que não há maior reconhecimento. Não obstante, numa cerimónia que visa premiar (ou assim anuncia) o que de melhor se faz na sétima arte, é estranho não encontrar Christopher Nolan entre os realizadores nomeados, quando, nos últimos 10 anos, é provavelmente a maior revelação nesta categoria. Foi em 2005 que “Batman Begins” marcou uma nova era para aquele super-herói e para outros que, entretanto, seguiram as linhas de Nolan, que também escreve magistralmente, e exploraram de nova forma a origem das personagens de banda-desenhada.

Em contrapartida, Meryl Streep somou mais uma nomeação: está é a 19ª indicação da atriz, que promete continuar a bater todos os recordes. Porém, a quarta estatueta deve ser adiada, uma vez que o Óscar de “melhor atriz secundária” dificilmente escapará a Patricia Arquette, por “Boyhood” (2014).

Sara Quelhas*

@Última Sessão (fb.com/ultimasessao.cinema)

*Mestranda em Estudos Fílmicos e da Imagem (Mestrado em Estudos Artísticos) na Universidade de Coimbra

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